24/05/2026
Na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira falou-se da cidade como quem fala de uma matéria viva, vulnerável, sensível, inacabada.
Na Conferência Imaginarius, Imaginar: cultura, coexistência e cidade num mundo instável, Charles Landry trouxe uma reflexão sobre aquilo que permanece invisível nas geografias urbanas: os afetos, a imaginação coletiva, a memória, o sentimento de pertença. Tudo aquilo que transforma um conjunto de ruas numa experiência humana partilhada.
Ao longo da conversa, o criador do conceito de Cidade Criativa lembrou que as cidades não sobrevivem apenas de infraestruturas ou eficiência. Precisam de empatia, de coragem moral, de pensamento holístico e da capacidade de criar convivência. Precisam de espaço para respirar, caminhar, escutar e permanecer.
“A cidade é uma obra de arte viva”, afirmou, defendendo uma ideia de urbanismo onde a cultura deixa de ser ornamento para se tornar estrutura invisível da vida comum. Porque, nas suas palavras, “a cultura está para a cidade, como as raízes estão para as árvores”.
Num tempo acelerado e instável, Landry desafiou-nos a imaginar cidades mais lentas, mais sensoriais e mais humanas. Cidades capazes de devolver espaço ao encontro, à felicidade pública e à experiência coletiva.
E talvez tenha sido essa a ideia que mais ficou suspensa no final da conferência: a de que nós moldamos a cidade, mas, silenciosamente, é também a cidade que nos molda a nós.
Num território onde a cultura tem vindo a ocupar o centro da visão urbana e do espaço público, as palavras de Charles Landry ressoaram não apenas como reflexão, mas como possibilidade concreta: a de construir cidades mais belas, mais habitáveis e mais conscientes do seu futuro coletivo.
📷 Conferência Imaginarius | 23 de maio de 2026