AS FESTAS
As Festas de São Bartolomeu são uma das principais e mais emblemáticas celebrações, de cariz popular e religioso, do concelho do Fundão. Esta tradição secular realiza-se, anualmente, na freguesia de Três Povos e, concretamente, no recinto situado na antiga freguesia do Salgueiro. Alguns populares caracterizam a celebração como um verdadeiro “feriado”, no qual a população se envolve de f
orma eufórica e ativa. Ela é, pois, muito mais do que uma simples festa. Ela é a alvorada, é a missa, o sermão e as ofertas, é a procissão acompanhada pela banda filarmónica, é a música que ecoa pela noite dentro, é o cheiro às farturas e outras doçarias, é o convívio com familiares e amigos. Muitos dos emigrantes da freguesia marcam, também, a sua presença nesta altura, para poderem estar na terra em dia de São Bartolomeu. A LENDA
São Bartolomeu é um dos doze apóstolos de Cristo. Os arménios acreditam que São Bartolomeu retirou o diabo do corpo de um filho do rei Polímio, da Arménia, restituindo-lhe a vida e aprisionando depois o demónio. Assim, segundo reza a lenda, apenas São Bartolomeu, de entre os doze apóstolos, tinha poderes para dominar o diabo, libertando-o uma vez por ano para evitar a sua revolta. O dia escolhido por São Bartolomeu para esta fugaz liberdade foi o 24 de agosto. Por isso, ainda hoje, como outrora, se ouve, em muitas regiões de Portugal, a expressão “anda o diabo à solta”. AS ORIGENS
As origens da romaria remontam há vários séculos atrás. Na nossa região, implantaram-se as três principais Ordens Militares existentes no país: a de Avis, a de Malta, e a do Templo, que, depois de 1319, passou a denominar-se “Ordem de Cristo”. A esta última foram concedidas, na Covilhã, as comendas de Santa Maria e de São Bartolomeu. Estas comendas eram administradas por um comendador, que era geralmente um cavaleiro da Ordem que prestara serviços de relevo ao rei, e eram compostas por vários bens. A comenda de São Bartolomeu da Covilhã teria uma filial na freguesia do Salgueiro, para além de possuir bens em Orjais, Peraboa, Tortosendo, Telhado. A existência da filial implicava que, na mesma, houvesse uma igreja, que teria a mesma invocação da comenda. Desta forma, São Bartolomeu tanto era venerado na igreja-mãe (existente na rua de S. Bartolomeu, na Covilhã) como na igreja anexa (no Salgueiro), visto ser o orago da comenda da mesma invocação. Contrariamente à comenda de Santa Maria, a de São Bartolomeu pertenceu ainda aos Templários, sendo anterior a 1319. Recorde-se, ainda, que o Salgueiro integrou o concelho da Covilhã até 1747 e contava com 90 vizinhos, em 1706.