09/03/2026
O Ecos do Lima é mais do que um festival.
Desde 2015 que, juntos — barquenses, amigos, artistas, parceiros — erguemos algo que parecia, muitas vezes, improvável e impossível. No Choupal, à beira do rio, entre a paisagem e a comunidade, fomos construindo um Ideal-Irreal-Social alimentado por um amor à Barca.
Hoje escrevemos com o coração tranquilo, mas também melancólico: em 2026, o festival não regressará.
Tudo na vida está em permanente mudança. E é nessa perspetiva de metamorfose que o Ecos se transforma. A nossa associação, a Associação Juvenil do Lima, não se irá dissolver. Continuaremos de pé, com os mesmos pilares de sempre — a Paisagem e a Comunidade —, os mesmos valores — a verticalidade — e o mesmo objetivo - a intervenção cultural numa terra que consideramos que pode ser muito mais.
Estes 10 anos foram mesmo muito difíceis e a organização fez TUDO o que estava ao seu alcance para erguer o festival, todos os anos, sempre melhor do que o anterior. Sempre com a preocupação de trazer frescura, novas linguagens e vozes, no plano da música, do cinema, literatura, artes plásticas, arquitetura temporária, sem nunca desvalorizar a cultura barquense, tentando, ainda, ser uma força agregadora de todos nós.
Mas a verdade é esta: um festival com estas ideias e princípios por trás, exige recursos humanos, logísticos e financeiros que já não temos de forma sustentável, porque o Ecos do Lima sempre se comprometeu a crescer, a surpreender, e a cuidar.
Não sabemos se algum dia voltaremos a ter um palco no Choupal durante 2 dias. Talvez o festival, como o conhecemos, não volte. Ou talvez volte diferente — mais simples, mais ajustado ao que conseguimos ser, mais próximo das suas origens, algures em 2015 - uma tarde música, à beira-rio, com amigos.
A melhor parte, é que o Ecos tornou-se mais do que um festival e tornou-se numa forma de estar e de pensar a Barca. Nesse sentido, vamos acreditar que o Ecos do Lima continua. De outra forma.
Pelo menos, na nossa memória viverá para sempre. Quanto ao resto… veremos.
Se calhar, ainda nos vemos no verão, nessa tarde à beira-rio.
Um sincero Obrigado a quem fez parte desta travessia. O que construímos ninguém nos tira.