A Importância de Saber Honrar a Nossa História
Os Louletanos gostam de dizer que o Carnaval de Loulé é o mais antigo Carnaval civilizado do nosso país. Ora, tendo o nosso Carnaval tido a sua primeira edição civilizada, em 1906, isto é, há precisamente 108 anos, é natural que ao longo desses mais de cem anos, Loulé tivesse sido berço de grandes foliões. Porque um Carnaval sem foliões nunca será u
m Carnaval. Mas, como em tudo na vida, há foliões e Foliões. E penso que cabe aos organizadores do Carnaval de Loulé saber preservar e homenagear os seus maiores. Defendi-o em Setembro de 2011, numa reunião preparatória com vista à revitalização do nosso Carnaval, para a qual fui convidado pelo anterior executivo camarário. Nessa reunião preparatória defendi que um Carnaval centenário tinha a obrigação de saber homenagear os seus maiores. Isto é: que se homenageasse grandes Foliões de outras eras, como, por exemplo, um José de Freitas Alvina, o mítico Zézinho «Titorrêa», um «Maestro Pintassilgo», um José Serôdio «Barbeiro», um Manuel Vitorino Barreto Lamy (que não falha um corso na Avenida desde de 1951) ou, mais recentemente, e ainda no activo, um Semião «das Vacas» (que, pelas minhas contas, não deve falhar um corso na Avenida desde o início da década de 1960). Mas não só de Foliões é composta a nossa rica História. Defendi que essas homenagens deveriam e poderiam ser alargadas a outros construtores históricos do nosso Carnaval. Referi, por exemplo, nomes como o Professor Duarte, o Sr. José Baptista, o Sr. José Maria Oliveira, ou os fundadores dos míticos «Sempre Prontos» (fundados em 1965), e que no próximo ano celebrarão o seu cinquentenário, só para citar alguns. Mas de nada valeu. Caiu tudo em s**o roto. Porventura, pelo facto dos organizadores da altura revelarem um desconhecimento ou desprezo pela nossa História Local, ou, então, por falta de sensibilidade histórica dos nossos mandantes da altura. Não faço ideia. Assim sendo, foi com incontida alegria que fiquei a saber que este ano os organizadores do nosso Carnaval decidiram, em boa hora, homenagear um dos nossos Foliões: Inácio José Jacinto Nunes (1946 – 2013), popularmente conhecido por «Favas». Homenageando, desta forma, a nossa centenária e rica História. Bem-haja a quem se lembrou desta justíssima homenagem. Termino fazendo votos para que esta seja, apenas, a primeira de muitas homenagens promovidas pela Carnaval Louletano. Porque, disso não tenhamos dúvidas, um Carnaval sem Foliões nunca será um Carnaval. E um Carnaval que não souber honrar o seu Passado, dificilmente poderá ter Futuro. João Romero Chagas Aleixo