22/05/2026
Há dias encontrei este vídeo de 2021, de uma aula que dei no Colégio Cesário Verde. Era um laboratório de cores. Apenas 3 pingas de cores primárias e um convite à experimentação livre. O resto acontecia pelas mãos, pelos olhos e pelo espanto das crianças.
Ao ouvir novamente o entusiasmo delas a descobrir o que acontecia quando as cores se misturavam, emocionei-me. Aquele entusiasmo genuíno da descoberta lembra-me porque continuo a acreditar tanto na importância da experiência direta, do brincar, do experimentar sem medo de falhar.
Dar aulas no ensino formal foi um desafio grande para mim. Estar dentro de uma estrutura rígida , como o ensino formal, tendo um espírito livre exige persistência, resistência e um amor muito profundo pela missão de educar. Mas, como formadora de professores, senti que precisava de viver essa realidade por dentro para compreender melhor os desafios, as necessidades e os limites de quem está diariamente nas escolas.
Hoje sei que não tenho perfil para permanecer nesse sistema. Mas este vídeo fez-me recordar algo essencial: a aprendizagem precisa de espaço para o caos criativo, para o erro, para a surpresa e para o acaso.
Nem tudo o que é valioso nasce do controlo. Muitas vezes nasce precisamente quando o largamos.
A própria raiz da palavra educar, do latim educare, fala de “trazer para fora”. E acredito profundamente que educar é isso: criar condições para que alguém descubra o mundo por si, com curiosidade, liberdade e brilho nos olhos, enquanto traz para fora aquilo que já vive dentro.