01/05/2026
Hoje faria anos Fernando Cabrita. Quem o viu jogar no Olhanense?
Mais conhecido pelo seu percurso como treinador, nomeadamente por ter levado o Benfica ao título nacional em 1967-68 e a seleção nacional às meias-finais do Euro 1984, Fernando Cabrita foi também um jogador de eleição. Tantos anos volvidos, é ainda o melhor marcador de sempre do Olhanense na I Divisão, com 82 golos.
Nascido em Lagos, cresceu a jogar à bola e aos 16 anos ingressou no Esperança de Lagos, principal clube da terra. Reza a história que, quando surgiu o convite do Olhanense em 1942, ficou reticente, mas foi aliciado e acabou por rumar a Olhão, tendo o emblema lacobrigense recebido mil e quinhentos escudos pela carta de desobrigação.
Com a camisola rubro negra viveu momentos de grande brilho. Em 1943-44 apontou 20 golos em 18 jogos no campeonato, o que lhe valeu o terceiro lugar na lista de melhores marcadores do campeonato, apenas atrás do sadino Francisco Rodrigues (28) e do sportinguista Peyroteo (23). E nas épocas que se seguiram foi finalista da Taça de Portugal e quarto classificado na I Divisão.
As boas exibições e o avultado número de golos não passaram despercebidos aos responsáveis pela seleção nacional, tendo feito a estreia ainda enquanto jogador do Olhanense, em março de 1945, num empate a dois golos com Espanha no Jamor. “Deram-lhe umas botas novas para jogar um desafio daqueles – e o resultado foi terminar o desafio com os pés a sangrar! Salvador do Carmo, o selecionador, aborrecido, chamou-lhe ingénuo. Mas houve pior do que isso. Houve um imbecil – saber, agora, quem foi! – que não permitiu a entrada, nas cabinas, do treinador do Olhanense, José Mendes. Esse modesto treinador da província tinha previsto o que os espertalhões da capital não tinham sequer suspeitado. José Mendes trouxera de Olhão as botas velhas de Fernando Cabrita, moldadas ao pé, e com elas na mão, pretendera ir, antes do jogo, às cabinas dos portugueses, entrega-las ao seu pupilo”, recordou a revista Ídolos do Desporto, num recorte retirado pelo blogue Antigas Glórias do Futebol Algarvio e Alentejano. Fernando Cabrita viria a disputar mais seis jogos de quinas ao peito.
Após a descida de divisão, em 1951, emigrou para o futebol francês, onde representou o Angers. Dois anos depois regressou a Portugal para jogar pelo Sp. Covilhã durante seis anos, cinco dos quais na I Divisão. Em 1959-60 pendurou as botas ao serviço do Portimonense, clube pelo qual desempenhou a função de jogador-treinador.
Viria a falecer em setembro de 2014, aos 91 anos.
Saiba quais são os outros jogadores entre os 10 com mais jogos pelo Olhanense na I Divisão e leia mais aqui: https://davidjosepereira.blogspot.com/2020/04/olhanense-zerozero-grazina-abraao-rodrigues-fernando-cabrita-salvador-loule-moreira-joaquim-paulo-joao-dos-santos-eminencio.html