27/08/2016
Generx sugere o seguinte evento:
O Coletivo Sycorax convida todas e todos para o lançamento da edição em português do livro "Calibã e a Bruxa: Mulheres, corpo e acumulação primitiva" de Silvia Federici. O evento será realizado no sábado, dia 3 de setembro, a partir das 17h, na Escola Ocupada Livre (R: Butantã, 233, prox. Estação Faria Lima).
Na ocasião, contaremos com a presença da autora, que estará no Brasil realizando uma série de debates e palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo. Silvia irá apresentar os principais pontos de seu trabalho, situando como a caça às bruxas na Idade Média europeia, aliada à expropriação colonial, foi fundamental para o processo de acumulação primitiva do capital.
A fim de entender como a caça às bruxas se dá na atualidade por meio da repressão estatal, pelos reflexos da colonialidade e do controle do corpo e da força de trabalho das mulheres, abrimos o debate com as convidadas:
Débora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do Movimento Independente Mães de Maio na luta por Memória, Verdade e Justiça
Monique Prada, co-editora do projeto Mundo Invisível e presidenta da Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Se***is - CUTS
A apresentação de Silvia Federici será em espanhol, com tradução consecutiva.
Agradecemos especialmente o apoio do Programa de Ações Culturais Autônomas (P.A.C.A.), que tornou possível a presença da autora no Brasil.
A AUTORA
Silvia Federici é militante feminista, historiadora e autonomista que desde a década de 1970 atua na luta pelo reconhecimento do trabalho doméstico como trabalho assalariado (wages for housework). Durante os anos 1980 foi professora na Nigéria, onde presenciou a implementação de uma série de ajustes neoliberais e acompanhou a organização Women in Nigeria. Atualmente é professora emérita da Hofstra University de Nova York.
O LIVRO
O livro "Calibã e a Bruxa: Mulheres, corpo e acumulação primitiva" foi originalmente publicado em inglês em 2004 pela Automedia. Em seguida, foi traduzido para o espanhol e publicado na Espanha (Traficantes de Sueños), México (Pez en el Árbol), Argentina (Tinta Limón) e, recentemente, no Equador (Abya Yala). Traduzido para o francês pelo Coletivo Senonevero, em 2014, é trazido agora para o português.
Neste trabalho, Silvia Federici estuda a história das mulheres na transição do feudalismo para o capitalismo e analisa os novos terrenos de exploração e resistência que se formaram nesse processo. Ao se debruçar sobre a caça às bruxas, ocorrida na Europa nos séculos XVI e XVII, a autora sustenta que tal processo foi tão importante quanto a colonização e a expropriação do campesinato da terra para o desenvolvimento inicial e avanço do capitalismo.
A partir desta necessidade de estudar as raízes da opressão às mulheres e reconhecer a esfera da reprodução como fonte de criação de valor e exploração, a autora também procura compreender como se constroem as divisões no interior do proletariado, divisões que sempre estiveram a serviço de um projeto de dominação.
O livro aborda uma série de perguntas históricas e metodológicas que estiveram no centro do debate da teoria feminista e da história das mulheres. Uma das motivações da autora para a escrita do livro foi ainda o aumento da violência contra as mulheres e a percepção de que são relançadas, diante de cada grande crise, estratégias para baratear o custo do trabalho e esconder a exploração das mulheres e dos sujeitos coloniais.
O COLETIVO
O coletivo sycorax é um sabá de pessoas que conjuram traduções. O nome remete à figura da bruxa da peça A Tempestade, de Shakespeare. Na primeira tradução realizada pelo coletivo, o livro Calibã e a Bruxa, de Silva Federici, a bruxa - que na Tempestade se encontra confinada a um segundo plano - situa-se no centro da cena, enquanto encarnação de um mundo de sujeitos femininos que o capitalismo destruiu: a herege, a curandeira, a esposa desobediente, a mulher que se encoraja a viver só, a mulher obeah que envenenava a comida do amo e inspirava os escravos a rebelarem-se. Reinvindicando esta figura, nas órbitas do ativismo, nos situamos.