01/09/2020
Um debate mais profundo sobre o sistema de classif**ação social no Brasil é extremamente necessário para o desenvolvimento do mercado e da sociedade.
É impossível nos percebermos como nação e entendermos nossas “culturas” e diferenças usando como indicadores apenas a renda de um domicílio, o número de bens de consumo que possui e o grau de escolaridade do chefe da família.
Isso gera uma série de distorções, estereótipos e preconceitos, além de dificultar o desenvolvimento de soluções mais adequadas para a realidade de cada público.
O sociólogo francês Pierre Bourdieu estudou profundamente esse tema e suas teorias oferecem uma perspectiva mais ampla para entender a questão e as disputas simbólicas que estão em jogo.
Segundo ele (bem resumidamente), existem três grandes capitais na sociedade: o capital econômico, o capital social e o capital cultural.
O capital econômico é a renda, incluindo o patrimônio e os investimentos financeiros.
O capital social é a rede de contatos de um indivíduo e sua capacidade de mobilidade a partir dela.
E o capital cultural são os valores, o gosto, o conhecimento e o repertório.
A soma e a relação entre esses capitais é o que distingue cada um e cada grupo.
Na Vox, sempre procuramos fazer essa ponte entre a academia e o mercado para adicionar outras camadas ao nosso olhar e aos participantes dos nossos estudos, do recrutamento à análise.
Assim, a informação chega com muito mais qualidade e f**a mais fácil detectar os diferentes segmentos, compreendendo suas expectativas e necessidades, para criarmos estratégias mais pertinentes e efetivas para cada público.
Conte pra gente o que pensa sobre isso.
Observação – Na nossa opinião, tanto o Critério Brasil quanto os indicadores econômicos do IBGE são eficientes e trazem informações essenciais, porém não devem ser usados sem conhecimento ou como único parâmetro.
Os trechos das entrevistas com o sociólogo Edison Bertoncelo e com o antropólogo Everardo Rocha foram retirados de um estudo que fizemos sobre o assunto.