Instituto Civitas Solis

Instituto Civitas Solis Nosso objetivo é tocar e despertar a consciência humana.
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O Instituto tem por objetivo tocar e despertar a consciência humana, criando conexão entre o conhecimento essencial e original e a sua manifestação na alma do povo brasileiro e de todos os povos. Para levar a efeito este objetivo, trabalharemos com os mais diversos elementos da cultura, buscando pontos de convergência entre ciência, arte e espiritualidade, mediante uma visão integral, abrangente e

aberta. Fundado em 2014, com sede na cidade de São Paulo e atuação em todo o Brasil, o Instituto conta com as seguintes parcerias internacionais:
Centro de Estudos Cátaros de Barcelona; Bibliotheca Philosophica Hermetica de Amsterdam; Universidade Lusófona de Lisboa; The Rosycross Foundations Group presente na Holanda, França, Espanha, Suíça e Alemanha; Science Foundation of Rosy Cross – Polônia.

LEMBRANÇAS DE ANINHACora CoralinaColhe dos velhos plantadores que sabem com jeito e experiênciadebulhar as espigas do pa...
04/05/2026

LEMBRANÇAS DE ANINHA
Cora Coralina

Colhe dos velhos plantadores que sabem com jeito e experiência
debulhar as espigas do passado e dar vida aos cereais da vivência.
Quanta informação antiga, quanta sabedoria inaproveitada...
O passado não volta, nem os mortos deixam suas covas
para contar estórias aos vivos.
Ninguém me alertou o entendimento. Meu avô, tia Nhorita, tia Nhá-Bá,
Tio Jacinto, Dindinha, a grande mágica Dindinha.
Alguns estranhos diziam: Dona Dindinha.
Passei pelas minas e não soube minerar,
daí a cascalheira das minhas frustrações.

Arte: Oskar Kokoschka.

SONETO PUROLêdo IvoFique o amor onde está; seu movimentonas equações marítimas se inspirepara que, feito o mar, não se r...
03/05/2026

SONETO PURO
Lêdo Ivo

Fique o amor onde está; seu movimento
nas equações marítimas se inspire
para que, feito o mar, não se retire
de verdes áreas de seu vão lamento.

Seja o amor como a vaga ao vago intento
de ser colhida em mãos; nela se mire
e, fiel ao seu fulcro, não admire
as enganosas rotações do vento.

Como o centro de tudo, não se afaste
da razão de si mesmo, e se contente
em luzir para o lume que o ensolara.

Seja o amor como o tempo – não se gaste
e, se gasto, renasça, noite clara
que acolhe a treva, e é clara novamente!!

Arte: Arte em Papel - Vesna Rikic.

"Eu estava andando com dois amigos na ponte.O sol estava se pondo, e eu senti um suspiro de melancolia.Repentinamente, o...
02/05/2026

"Eu estava andando com dois amigos na ponte.
O sol estava se pondo, e eu senti um suspiro de melancolia.
Repentinamente, o céu se tornou vermelho sangue;
eu parei e me apoiei no balaústre,
olhando para as nuvens flamejantes
que pendiam como sangue e como espada
sobre o azul escuro do fiorde e da cidade.
Meus amigos continuaram andando -- eu fiquei
paralisado e tremendo com angústia
e senti um grande, infinito grito
perpassando a natureza."

Edward Munch, sobre sua pintura "O Grito" (1893).

O MINOTAUROSophia de Mello Breyner AndresenEm CretaOnde o Minotauro reinaBanhei-me no marHá uma rápida dança que se danç...
01/05/2026

O MINOTAURO
Sophia de Mello Breyner Andresen

Em Creta
Onde o Minotauro reina
Banhei-me no mar

Há uma rápida dança que se dança em frente
[de um toiro
Na antiquíssima juventude do dia
Nenhuma droga me embriagou me escondeu
[me protegeu
Só bebi retsina tendo derramado na terra a
[parte que pertence aos deuses

De Creta
Enfeitei-me de flores e mastiguei o amargo
[vivo das ervas
Para inteiramente acordada comungar a terra
De Creta
Beijei o chão como Ulisses
Caminhei na luz nua

Devastada era eu própria como a cidade em
[ruína
Que ninguém reconstruiu
Mas no sol dos meus pátios vazios
A fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar
Porque pertenço à raça daqueles que
[mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra
[anémona a anémona flor a flor
E o mar de Creta por dentro é todo azul
Oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega

Pinturas ondas colunas e planícies

Em Creta
Inteiramente acordada atravessei o dia
E caminhei no interior dos palácios veementes
[e vermelhos
palácios sucessivos e roucos
Onde se ergue o respirar da sussurrada treva
E nos fitam pupilas semi-azuis de penumbra e
[terror
Imanentes ao dia –
Caminhei no palácio dual de combate
[e confronto
Onde o Príncipe dos Lírios ergue os seus gestos [matinais

nenhuma droga me embriagou me escondeu
[me protegeu
O Dionysos que dança comigo na vaga não se
[vende em nenhum mercado negro
Mas cresce como flor daqueles cujo ser
Sem cessar se busca e se perde e se desune e
[se reúne
E esta é a dança do ser

Em Creta
Os muros de tijolo da cidade minóica
São feitos com barro amassado com algas
E quando me virei para trás da minha sombra
Vi que era azul o sol que tocava o meu ombro

Em Creta onde o Minotauro reina atravessei
[a vaga
De olhos abertos inteiramente acordada
Sem dr**as e sem filtro
Só vinho bebido em frente da solenidade das [coisas –
Porque pertenço à raça daqueles que
[percorrem o labirinto,
Sem jamais perderem o fio de linho da palavra

Arte: O Minotauro - 1885, George Frederic Watts.

PRECISO ME ENCONTRARCartolaDeixe-me irPreciso andarVou por aí a procurarRir pra não chorarDeixe-me irPreciso andarVou po...
30/04/2026

PRECISO ME ENCONTRAR
Cartola

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Arte: Eudes Correia

Tudo o que vemos é outra coisa,A maré vasta, a maré ansiosa,É o eco de outra maré que estáOnde é real o mundo que há.Fer...
29/04/2026

Tudo o que vemos é outra coisa,
A maré vasta, a maré ansiosa,
É o eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.

Fernando Pessoa

Arte: Joan Miró

O ARTISTA INCONFESSÁVELJoão Cabral de Melo NetoFazer o que seja é inútil.Não fazer nada é inútil.Mas entre fazer e não f...
28/04/2026

O ARTISTA INCONFESSÁVEL
João Cabral de Melo Neto

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificilmente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.

Arte: Eugene Von Blass.

27/04/2026

SE CADA DIA CAI - Pablo Neruda



Se cada dia cai, dentro de cada noite,

há um poço

onde a claridade está presa.

Há que sentar-se na beira

do poço da sombra

e pescar luz caída

com paciência.



Acordei bemoltudo estava sustenidoSol faziasó não fazia sentido.Paulo Leminski Arte: Candido Portinari
27/04/2026

Acordei bemol
tudo estava sustenido
Sol fazia
só não fazia sentido.

Paulo Leminski

Arte: Candido Portinari

DESCOBRIMENTOMário de AndradeAbancado à escrivaninha em São PauloNa minha casa da rua Lopes ChavesDe supetão senti um fr...
26/04/2026

DESCOBRIMENTO
Mário de Andrade

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei que lá no norte, meu
[Deus! muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro, de cabelo escorrendo
[nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu…

Arte: Gabriël Metsu

ATENÇÃONicanor ParraAos jovens apaixonadosQue cortejam belas donzelasNos jardins dos mosteirosFaço saber com toda a fran...
25/04/2026

ATENÇÃO
Nicanor Parra

Aos jovens apaixonados
Que cortejam belas donzelas
Nos jardins dos mosteiros
Faço saber com toda a franqueza
Que no amor
por mais casto
Ou inocente que pareça no começo
costumam surgir complicações.

Concorda-se plenamente
Que o amor é mais doce que o mel.

Mas é bom advertir
Que no jardim há luzes e sombras
Além de sorrisos
No jardim há desgostos e lágrimas
No jardim não há só verdade
Mas também um pouco de mentira.

Arte: Carlos Machado

Endereço

R. Heitor Peixoto 58/Aclimação
São Paulo, SP
01543-000

Horário de Funcionamento

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