Brique da Redenção

Brique da Redenção www.briquedaredencao.com.br
https://www.instagram.com/briquedaredencao?igsh=a3h3a3BtOGZkcHhm O Brique da Redenção pode ser visto sob vários ângulos.
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O olhar apressado de alguns pode caracterizá-lo como a tradicional Feira que acontece todos os domingos na extensão da Avenida José Bonifácio, junto ao Parque Farroupilha, em Porto Alegre. Já outros olhares enxergam no Brique a oportunidade ideal para o passeio dominical com a família, para rever amigos e saborear o tradicional chimarrão. Há quem simplesmente quer estar no Brique, cercado por uma

aura mística que reune pessoas de todas as classes e crenças para desfrutar momentos de convivência. Todos os olhares estão alí. Até os curiosos vão ao brique à espera do inesperado. O Brique parece sempre igual, mas sempre há algo de novo capaz de surpreender os visitantes. O Brique tem história, mas acima de tudo é arte, cultura. É a expressão das raízes e da tradição gaúcha manifestada nas obras de centenas de artistas. O brique é um pouco de tudo e sempre um mistério a ser desvendado.

Histórias do Brique da Redenção - 15Clair Maria Wesolowski Molina - artesã Seu Ladislau carregava os poucos móveis da fa...
23/05/2026

Histórias do Brique da Redenção - 15

Clair Maria Wesolowski Molina - artesã

Seu Ladislau carregava os poucos móveis da família para o caminhão de mudança, enquanto dona Clara arrumava roupas e outras miudezas. As crianças - três polaquinhos de cabelos amarelos e escorridos - observavam toda aquela movimentação sem compreender direito o que acontecia. Sentadas lado a lado em um banquinho, Alice e Clair apertavam contra o peito suas bonecas de pano, feitas pela mãe com sobras de tecido, enquanto Jair implicava, ora com uma, ora com outra.

Partiram de trem na manhã seguinte, bem cedo. Levavam pouca coisa: um baú de roupas e uma máquina de costura Singer.

- Meus pais foram aqueles que vieram para a capital. Eu tinha três anos - recorda Clair.

Em Porto Alegre, enquanto seu Ladislau passava o dia percorrendo a cidade como motorista, dona Clara dividia-se entre os afazeres da casa e a profissão de costureira. Na casa nova nasceu Neca. As meninas cresceram ao redor da mãe, cercadas por retalhos de tecido, carretéis de linhas e pelo barulho ritmado da máquina de costura. Com ela aprenderam a arte de pregar um botão, as minúcias de fazer uma bainha e os segredos de cerzir uma calça com capricho.

Cresceram na zona sul da cidade.

As bonecas da pequena Clair mal haviam sido guardadas no fundo do armário quando a vida adulta empurrou a porta com força e entrou; não queria esperar.

- Fui mãe muito jovem. Larguei os estudos. Na época, era feio estar grávida e ir para o colégio.

As primeiras colônias polonesas começaram a se estabelecer no Rio Grande do Sul a partir de 1875. Primeiro, nas encostas da serra, próximas de onde hoje f**a Carlos Barbosa; depois, em Dom Feliciano, um dos municípios que mais preservam a cultura e o idioma polonês no estado; passando por Mariana Pimentel e São Miguel, região de origem da família de Clair; até chegar à Áurea, no norte do Rio Grande do Sul, conhecida atualmente como a Capital Polonesa do Brasil.

Segundo o sociólogo e pesquisador Octavio Ianni, os imigrantes poloneses sofreram marginalização e discriminação tanto de outras etnias quanto das elites brasileiras. Em seus estudos, observou que, na tentativa de ascender socialmente ou de se distanciar da população afrodescendente e indígena, alguns grupos de colonos acabavam reproduzindo o racismo da sociedade que os cercava.

Vitor conheceu Clair nas festas da igreja da comunidade onde moravam. Descendente de espanhóis, herdara a tez morena dos povos mouros que habitaram o norte da África até a Reconquista Católica. Os velhos colonos poloneses chamariam Vitor de "brasileiro". Para seu Ladislau e dona Clara, pouco importava como o chamavam ou de onde ele vinha; importava, na verdade, para onde seguiria dali em diante.

Clair e Vitor casaram.

Enquanto aguardava o nascimento de Anelise, sua primeira filha, Clair aprendeu crochê e, depois, tricô. Comprou uma máquina de tricô e começou a trabalhar no Brique da Redenção com a sogra, dona Maria, uma das primeiras expositoras da feira. Logo tomou gosto pelo ofício de artesã e conquistou sua própria banca no Brique.

Começou confeccionando roupas para bebês e bonecas. A família inteira acabou se envolvendo no trabalho: seu Ladislau e Alice tornaram-se parceiros de feira e a acompanhavam todos os domingos; dona Clara confeccionava vestidos de noiva; Neca, extremamente detalhista, colaborava nos acabamentos. Vitor f**ava em casa cuidando dos filhos - agora eram dois, com a chegada de Cristiano.

As roupas de bonecas surgiram na França, no século XIV. Como ainda não existia fotografia, os alfaiates vestiam bonecas articuladas com suas criações, e esses manequins circulavam pelas cortes europeias divulgando as últimas tendências da moda. Entre os séculos XVIII e XIX surgiram as bonecas de papel, que permitiam às crianças trocar roupas e até criar seus próprios modelos, além das bonecas tridimensionais, como as de porcelana, que possuíam enxovais feitos à mão.

Em 1959, Ruth Handler criou a Barbie e revolucionou esse universo ao contratar estilistas renomadas para produzir peças de alta-costura em miniatura, transformando definitivamente as roupas de boneca em um nicho de mercado rico e cobiçado.

Com a pandemia, Clair acabou deixando de produzir peças para bebês e concentrou-se nas roupas de bonecas, pois eram mais fáceis de embalar e ofereciam menos riscos de contaminação. Hoje, veste sete ou oito tipos diferentes de bonecas. Seus clientes vão desde crianças ainda engatinhando até senhorinhas de cabelos brancos.

- Qualquer boneca que a pessoa tiver, ela chega na minha banca e, com certeza, sai com ela vestida. Tem um senhora, de mais de oitenta anos... Esses dias, apareceu com uma boneca que ganhou aos seis, para ver se eu tinha alguma roupa que servisse. E consegui vestir. Ela saiu daqui numa alegria... - recorda, toda faceira.

Hoje, passados mais de quarenta anos desde o primeiro dia em que pisou na feira, Vitor tornou-se seu colega de trabalho. É ele quem faz os moldes e os cortes nos tecidos, além de montar a banca aos domingos e ajudar nas vendas. Dona Clara e seu Ladislau partiram já faz algum tempo. Alice e Neca voltaram para as Missões, mas, sempre que vêm a Porto Alegre, passam no Brique para uma visita. Anelise e Cristiano foram morar bem longe, mas escrevem todos os dias para a mãe.

A pequena Victoria, filha de Cristiano, fã de carteirinha de Clair - tanto pelo carinho quanto pelos vestidos lindos que ganha para suas bonecas - ainda não sabe, mas aquela velha máquina Singer permanece guardada a sete chaves, esperando pelo dia em que ela terá suas primeiras aulas de costura com a avó.

Pesquisa e texto: Edegar Rissi
Criação e pesquisa: Patricia Rebellato

Histórias do Brique da Redenção - 14Cleverson Costa Silva Luiz- artesão Seu Erni não tinha como prever que o acidente so...
17/05/2026

Histórias do Brique da Redenção - 14

Cleverson Costa Silva Luiz- artesão

Seu Erni não tinha como prever que o acidente sofrido com seu caminhão, lá em 1974, ajudaria a definir o futuro profissional de dois de seus filhos. Acamado por alguns dias e, depois, em recuperação por um longo período, resolveu fuçar na garagem.

De dentro de casa, dona Zenaide, Cleverson (Joca), Cleber e Sandro ouviam, curiosos, o barulho de serrote e martelo. Joca então correu para o fundo do pátio e abriu a porta da garagem.

O som insistente das marteladas transformou-se em surpresa.

O menino de seis anos ficou parado à porta, admirado com o trabalho do pai.

- Aquilo despertou uma paixão - lembra, emocionado.

Tal qual o velho carpinteiro Gepeto, seu Erni esculpia a madeira, dando a ela as mais variadas formas: carrinhos, caminhões e outras tantas invenções.

O personagem Gepeto foi criado pelo escritor italiano Carlo Collodi para o livro As Aventuras de Pinóquio. A história da marionete de madeira mais famosa da literatura foi publicada originalmente em um jornal infantil, entre os anos de 1881 e 1883, que era vendido em bancas da Itália, e mais tarde transformada em livro. A obra retrata, entre outros temas, as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias italianas naquela época.

Gepeto era um velho carpinteiro, rabugento e solitário, que, ao ganhar de um amigo um pedaço de madeira "mágica", vê a possibilidade de amenizar sua solidão. Cria então um boneco articulado, ao qual dá o nome de Pinóquio. Ao longo da narrativa, Pinóquio e Gepeto enfrentam inúmeras provações, até que, ao final da história, o boneco finalmente se transforma em um menino de verdade.

O fascínio de Joca pela fabricação de brinquedos nasceu naquele dia em que viu o pai martelando pedaços de madeira como o velho Gepeto. Pinóquio sonhava em ser um menino de verdade; o filho de seu Erni começava ali, sem saber, o sonho de se tornar artesão.

Ainda em Cachoeira do Sul, passeando pelas ruas, Joca passou em frente a uma casa onde viu alguns meninos trabalhando. Curioso, aproximou-se e percebeu mais um sinal de que seu destino já estava traçado: eles fabricavam brinquedos.

A origem dos brinquedos de madeira remonta à Antiguidade. Arqueólogos encontraram peças em civilizações como o Antigo Egito, Grécia Antiga e o Império Romano. Surgido da necessidade de replicar ferramentas, armas, divindades e animais, esses brinquedos serviam tanto para o divertimento quanto para a aprendizagem. Entre os objetos encontrados estão cavalinhos com rodas, bonecos articulados, pequenas carroças, piões e miniaturas de animais. Por ser um material abundante, resistente e fácil de manusear, a madeira foi a base da indústria dos brinquedos até meados do século XX, quando os brinquedos de plástico começaram a ganhar força.

Em 1982, a família mudou-se para Guaíba, que, em tupí-guarani, signif**a "o lugar onde o rio se alarga".

Na nova cidade, as possibilidades de trabalho para Joca também se "alargaram", como o rio. Trabalhou durante um ano e meio como ajudante de um mestre fabricante de brinquedos e, depois, por mais alguns anos, com outro mestre das artes em madeira. Até que comprou suas próprias máquinas e construiu uma oficina na garagem de casa.

O trabalho cresceu, e ele montou outra oficina com alguns amigos. Vendiam a produção de brinquedos na Rua dos Andradas, a tradicional Rua da Praia, no centro de Porto Alegre.

- O Brique não passava pela minha cabeça - recorda.

Em 1992, tirou sua carteira de artesão e, então, o Brique da Redenção finalmente entrou em sua vida. Passou a expor como convidado e , na primeira triagem que participou, foi aprovado. O trabalho, sempre feito a quatro mãos, em parceria com o irmão Sandro, tomou outra proporção: seus brinquedos começaram a viajar para diversos lugares do mundo, participaram de comerciais e até da abertura de uma novela de televisão.

Nesses anos todos de feira, fez parte, mais de uma vez, da comissão do setor de artesanato, pois acredita em seu ofício e, mais ainda, na importância do Brique para seus expositores e para a comunidade.

- Não pensei, em nenhum momento da minha vida, em ter outra profissão.

Hoje, não trabalha mais por encomenda. Toda a produção do ateliê é dedicada à feira. Afirma que a venda é consequência de um trabalho bem-feito e que os verdadeiros artesãos serão artesãos por toda a vida, pois não se trata apenas de sobrevivência, mas de amor pelo ofício.

Como exemplo dessa dedicação ao trabalho, lembra do saudoso amigo e colega Panela que, no hospital, sem nenhuma chance de voltar para casa, ainda se preocupava com uma encomenda que precisava terminar para entregar a um cliente. O exemplo de Panela contribuiu para nortear a trajetória de Joca.

- Sigo em frente. Passo a semana inteira produzindo meus brinquedos. Essa é minha única função. Cada vez mais, tento melhorar e deixar tudo muito bonito para que, no domingo, as pessoas cheguem na minha banca e se encantem. Esse é o meu ganha-pão e vai ser pelo resto de minha vida."

Pesquisa e texto: Edegar Rissi
Criação e pesquisa: Patricia Rebellato

🚗✨ O charme dos clássicos vai tomar conta do Brique da Redenção!Neste domingo, 17 de maio, o encontro do Veteran Car Clu...
12/05/2026

🚗✨ O charme dos clássicos vai tomar conta do Brique da Redenção!
Neste domingo, 17 de maio, o encontro do Veteran Car Club acontece junto aos antiquários, reunindo veículos históricos e apaixonados pelo antigomobilismo em uma manhã especial no coração de Porto Alegre.

🕘 Das 9h às 12h
📍 Brique da Redenção

🚘 Exposição de carros com mais de 30 anos de fabricação
Uma oportunidade para admirar relíquias sobre rodas, tirar fotos incríveis, conversar com colecionadores e aproveitar toda a atmosfera cultural do Brique, com artesanato, antiguidades, gastronomia e muito mais.
Venha viver essa viagem no tempo! ✨

Histórias do Brique da Redenção - 13Breno Luiz Caldasso da Silva - artesão A cidade de Camaquã localiza-se a 127 quilôme...
09/05/2026

Histórias do Brique da Redenção - 13

Breno Luiz Caldasso da Silva - artesão

A cidade de Camaquã localiza-se a 127 quilômetros de Porto Alegre, na região da Serra do Sudeste. A origem de seu povoamento remonta a 1763, quando casais açorianos rumaram ao sul do Estado, fundando fazendas e charqueadas. Foi ali que, em 25 de abril de 1966, nasceu o filho de dona Lisete e de seu Breno - irmão de Sandra, Silvia, Salete e João Batista. O menino, nascido sob o signo de Touro, regido por Vênus e tendo a Terra como elemento, herdou do pai o nome.

Quando o primeiro lápis lhe caiu nas mãos, começou a desenhar. Rabiscava cadernos de caligrafia, folhas de papel de pão, livros escolares e até as paredes de casa. Seus desenhos espalhavam-se pelos cômodos, a imaginação pedia espaço. E assim foi durante muitos anos...

- Sempre gostei de arte, de desenho, de fuçar nas coisas!

...até o dia em que se alistou no exército. Durante o serviço militar, deixou os desenhos um pouco de lado e passou a esboçar outro projeto: o próprio futuro.

O nome "Camaquã" tem origem na expressão tupi-guarani Icabaquã: "I"signif**a rio ou água; "Cabaquâ", velocidade, correnteza. Talvez tenha sido seguindo essa mesma correnteza que Breno decidiu partir. Ao retornar do quartel, preparou as malas e resolveu acompanhar o curso das águas em busca de novas paragens.

Guarda na memória a imagem dos pais e dos irmãos acenando na rodoviária. O ônibus partia rumo a Porto Alegre. E Breno, rumo ao sonho da cidade grande.

Na capital, logo após se instalar, saiu às ruas à procura de trabalho. Não tardou a encontrar: sua habilidade nata para o desenho abriu portas. Foi contratado por uma dupla de arquitetas para atuar em uma empresa de arquitetura promocional. Ali, projetava estandes para feiras e tornou-se desenhista copista.

Durante anos, dedicou-se à mesma área em diferentes empresas. Fez curso de desenho arquitetônico, especializou-se e consolidou sua experiência profissional. Porém, com o passar do tempo, o rigor dos ponteiros do relógio começou a incomodá-lo.

- Chegava às oito da manhã, com o sol nascendo e saia depois das 18h, já com o sol se pondo. Um dia, cansei! Pedi as contas!

Passou então a desenhar e pintar quadros, tanto para si quanto por encomenda. Decorava a própria casa e também a de amigos.

- Agora não quero mais trabalhar de empregado. Vou ser artesão!", profetizou!

Já era frequentador assíduo do Brique da Redenção e morava nas proximidades, mas, a partir daquele domingo, seu olhar tornou-se diferente - mais atento, mais curioso. Procurava algo que o encantasse, algo que pudesse servir de ponto de partida para sua nova trajetória. Namorou peças de cerâmica, passou as mãos por bolsas de couro, observou entalhes de madeira, mas nada parecia tocá-lo de verdade. Até que...

- O vidro!

Plínio, o velho, foi escritor, historiador e oficial romano. Exerceu importantes cargos públicos e foi nomeado procurador na Espanha durante o governo de Nero. De todas as suas obras, apenas uma sobreviveu: Historia Naturalis, tratado composto por 37 volumes. Nessa obra, Plínio dedica uma passagem importante à origem do vidro.

Segundo seu relato, mercadores fenícios descobriram o vidro por acaso na costa da Fenícia, atual Líbano. Precisando apoiar os caldeirões para cozinhar e não encontrando pedras na praia, utilizaram blocos de natrão - composto de sódio empregado no Egito nos processos de mumif**ação. O calor intenso das fogueiras derreteu o natrão, que se misturou à areia, formando um líquido transparente que, ao esfriar, endureceu: surgia ali o vidro.

Tal qual os fenícios, naquele dia Breno também "descobriu" o vidro.

E então começou tudo outra vez, do zero: fez cursos, oficinas, comprou forno e materiais, frequentou o Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e participou de feiras.

- Fazia uma em frente à Usina do Gasômetro, embaixo do Aeromóvel.

Um dia, conseguiu uma vaga de visitante no Brique da Redenção. Voltou no domingo seguinte e em muitos outros. Até que surgiu uma triagem para o setor de artesanato, na qual se inscreveu. E, já em sua primeira tentativa - embora seja comum ouvir histórias de expositores que passaram por várias triagens até conseguirem ingressar - foi aprovado.

E lá se vão 24 anos.

Vinte e quatro anos em que, como todos os expositores do Brique, acumulou histórias, clientes e amigos. Estes últimos são os que mais lhe trazem satisfação. Todos os domingos, divide com os vizinhos um lauto café da manhã, com direito a bolos, pães e outros quitutes.

Sobre o tempo, diz sorrindo que logo fará 60 anos:

- Vou virar um idoso.

Em sua banca, expõe peças extremamente trabalhadas e delicadas, geralmente em tamanhos menores, pois seu forno não é muito grande e também porque cria pensando em valores mais acessíveis - souvenires para turistas. E, sobre eles, filosofa:

- A gente não viaja muito, mas os países vêm nos visitar!

Pesquisa e texto: Edegar Rissi
Criação e pesquisa: Patricia Rebellato

Mário Pirata, Esquina Mário PirataQuem chegou neste domingo (03/05/26) no Brique da Redenção se deparou com uma novidade...
05/05/2026

Mário Pirata, Esquina Mário Pirata
Quem chegou neste domingo (03/05/26) no Brique da Redenção se deparou com uma novidade nas duas esquinas do cruzamento da Rua José Bonifácio com a Rua Vieira de Castro, placas com o nome de Mário Pirata, Esquina Mário Pirata. Uma grande surpresa para todos que ali passavam.
Mário Augusto Franco de Oliveira, conhecido como Mário Pirata foi poeta, professor, arte-educador, treatreiro e brincadeiro. Todo seu trabalho reunia diversas linguagens artísticas. Para ele a poesia estava no centro de tudo. Usava elementos das artes visuais nos seus cartões poéticos, com uma caligrafia desenhada, e usava o pirografoL para gravar em madeira poemas, trazendo a poesia para a FEIRA DE ARTESANATO DO BRIQUE DA REDENÇÃO, junto ao poeta Ricardo Silvestrin, onde por muitos anos com a participação de vários poetas criaram a RODA DE POESIA neste cruzamento da Rua José Bonifácio com a Rua Vieira de Castro, onde agora será eternizada a memória de Mário Pirata(1951-2025) através da Lei de Autoria do Vereador Jonas Reis.

Texto e pesquisa:Rosane T. Lancini Sebastiany

Fonte:matinal.jornalismo.com.br/25-07-2025/Ricardo Silvestrin

Histórias do Brique da Redenção - 12 Roberto Javier Rebellato Zunino, ou simplesmente “Javier”, como é conhecido por ami...
02/05/2026

Histórias do Brique da Redenção - 12

Roberto Javier Rebellato Zunino, ou simplesmente “Javier”, como é conhecido por amigos e clientes, é um artista uruguaio de 72 anos que carrega na sua trajetória uma mistura de criatividade, coragem e afeto pela cultura.

Formado em Publicidade e Propaganda pela Universidad del Trabajo del Uruguay, Javier chegou ao Brasil em 1977, estabelecendo-se em São Paulo ao lado da companheira Patrícia. Foi lá que iniciou sua carreira na área de publicidade, trabalhando com criação e estratégias de comunicação.

Mas a vida tinha outros planos. Em 1984, já com o filho Renato, o casal decidiu buscar mais qualidade de vida e se mudou para Porto Alegre, mais perto do seu querido “paisito”, como ele chama o Uruguai.

Na capital gaúcha, chegaram os filhos Diego e Paulo e Javier encontrou um novo caminho. Passou a se dedicar a projetos com propósito cultural e social, valorizando a arte, o patrimônio e a identidade local. Foi então que transformou seu talento para o desenho em profissão e se reinventou como artesão.

Depois de algumas tentativas, conquistou seu espaço no tradicional Brique da Redenção — onde está há mais de 30 anos

Hoje, entre uma venda e outra, o que mais coleciona são histórias. Clientes que viraram amigos, pessoas que voltam anos depois, famílias que levam suas peças para diferentes partes do mundo. Suas famosas “camisetas aquareladas” atravessam fronteiras e carregam um pedacinho da cultura gaúcha por onde passam.

E é com orgulho que Javier compartilha cada foto que recebe — seja de adultos ou crianças — vestindo suas criações. Para ele, mais do que vender, é sobre conectar pessoas, contar histórias e manter viva a arte no dia a dia.

Histórias do Brique da Redenção - 11José Antoni Kacperski - artesão Durante muitos anos, José trabalhou no departamento ...
26/04/2026

Histórias do Brique da Redenção - 11

José Antoni Kacperski - artesão

Durante muitos anos, José trabalhou no departamento pessoal de uma empresa. Suas tarefas consistiam em organizar a admissão de funcionários, controlar o livro-ponto, preparar folhas de pagamento, administrar férias, rescisões de contrato e uma infinidade de outras demandas burocráticas. Sufocado por aquela montanha de papéis, resolveu dar um basta.

Juntou-se ao saudoso cunhado, Nilo, e, entre os anos 1987 e 1988, arquitetaram um plano que mudaria para sempre a trajetória de José: começaram a fabricar brinquedos.

Dona Eva, sogra da dupla de aspirantes a artesãos, cedeu o porão de sua casa para a instalação da primeira oficina. Dali passaram a sair carrinhos, casinhas de bonecas, e uma série de outros brinquedos, todos confeccionados em madeira.

A parceria durou alguns anos, até que Nilo concluiu que o trabalho não rendia o suficiente para garantir seu sustento e deixou a sociedade. José, por sua vez, aventurou-se ainda mais pelos caminhos do artesanato. Naquela época, suas casinhas já tinham destino certo: ele vendia toda a produção para lojistas.

As casinhas de bonecas confeccionadas em madeira, surgiram no século XVI, na Europa. Inicialmente, não eram brinquedos infantis, mas objetos de luxo destinados a colecionadores adultos. A primeira casa de bonecas de que se tem registro foi encomendada, em 1558, pelo Duque Albrecht V, da Baviera, para presentear sua filha. Pelo alto grau de detalhamento e realismo, tornou-se uma peça artística de coleção.

Essas miniaturas eram comuns na Alemanha, Holanda e Inglaterra. Conhecidas inicialmente como "casas de bebês", retratavam a vida doméstica das famílias abastadas. Somente no final do século XIX, com a Revolução Industrial, a produção em massa de brinquedos de madeira tornou essas peças mais acessíveis, popularizando-as como brinquedos infantis e presentes de Natal.

Voltando ao século XX, em Porto Alegre, corria o ano de 1992, e José se preparava para uma nova saga: participaria de sua primeira triagem para o setor de artesanato do Brique da Redenção. Naquela época, a cada cinco vagas abertas, uma nova seleção de expositores era realizada. Cinco vagas para não menos de 500 candidatos. José se esmerou em cada detalhe, desde o acabamento das peças até o expositor improvisado.

"Levei uma mesa de cozinha. Nunca tinha exposto em uma feira", relembra, sorrindo.

Não passou!

Em 1994, José - já conhecido como o "Zé das Casinhas" (um deles, pois no Brique da Redenção existem dois "Zés das Casinhas) - começou a expor na Feira de Sábado.

"Naquela época eu vendia muito bem, não dava conta!"

Veio então a segunda triagem. Depois a terceira, a quarta, a quinta, a sexta...

Passou a expor como visitante nas férias de verão e, a partir de 2010, como convidado durante todo o ano.

"Quase todos os domingos eu conseguia uma vaga".

E vieram mais triagens, mais tentativas, mais esperas. Até que, em 2014, Zé finalmente conquistou seu lugar como expositor titular do Brique da Redenção e suas casinhas passaram a ter um endereço fixo na feira.

Em quase quarenta anos de ofício, Zé viu crianças presenteadas com suas casinhas crescerem e retornarem, anos depois, para comprar o mesmo presente para os próprios filhos.

Brincar de casinha, para qualquer criança, vai muito além da experiência lúdica; é também uma forma de aprendizado. Ao encenarem situações cotidianas sob uma nova perspectiva, os pequenos ensaiam a vida real de maneira segura, sem consequências.

Ele recorda, emocionado, de uma senhora que comprou uma de suas peças para a filha que estava se formando na faculdade, como forma de compensar um desejo de infância da pequena nunca realizado.

Hoje, entre casinhas de madeira, lembranças e amigos acumulados, Zé segue dando forma ao mesmo sonho que nasceu anos atrás, lá no porão da dona Eva.

Texto e Pesquisa: Edegar Rissi
Criação e Pesquisa: Patricia Rebellato

PARABÉNS À FEIRA DE ARTESANATO DO BOM FIM! HOJE BRIQUE DA REDENÇÃO!! PELOS 44 ANOS.A história da atual Feira, a mais con...
24/04/2026

PARABÉNS À FEIRA DE ARTESANATO DO BOM FIM! HOJE BRIQUE DA REDENÇÃO!! PELOS 44 ANOS.

A história da atual Feira, a mais conhecida do Sul do Brasil, ponto clássico da cultura gaúcha, o “Brique da Redenção”, Patrimônio Cultural do RS desde 26 de outubro de 2005, através da Lei nº 12.344, sancionada pelo então governador Germano Rigotto, traz até nós um registro do esforço e da determinação de um grupo de artesãos do próprio bairro.

A idealizadora deste grande projeto foi Berenice Aurora de Medeiros, junto ao seu marido, Paulo Filber, e os artesãos Panela e Sônia, Marconi e Diva, Gerson e Leda, Naira e Beco, Zezé, César, Renato, Osvaldo e Luizel. Estes foram os artesãos pioneiros desta história tão importante para todos os artesãos até os dias de hoje.

Berenice, uma gaúcha de Passo Fundo, tinha um propósito maior. Abandonou seu curso de Psicologia antes de concluir o último estágio, e Paulo deixou de atuar como professor de Educação Física concursado do Estado para dedicarem-se totalmente ao artesanato. Paulo produzia brinquedos de madeira, e Berenice dedicou-se à pintura em madeira no estilo Bauer (Bauernmalerei), em utensílios domésticos, placas e demais peças decorativas. Nessa época, Berenice era conhecida como a “Artesã Mãe” da Feira de Artesanato do Bom Fim.

Foi um período muito difícil. Berenice peregrinou muito entre o poder público, recebeu muitos “nãos”, foi hostilizada, mas não desistiu. Argumentou, contra-argumentou e continuou a lutar pelo que acreditava: encontrar um lugar central onde os artesãos pudessem expor seus trabalhos com dignidade e tivessem o devido reconhecimento. Até que encontrou o Sr. Ivaldo Gonçalves, o “Marecha”, professor de Educação Física do Estádio Ramiro Souto, administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. Ele então cedeu a cancha de esportes para uma primeira Mostra de Artesanato.

E foi assim que, em um fim de semana de abril de 1982, nos dias 23 e 24, tornou-se realidade.

Eram 44 artesãos, duas escolas de artesanato e duas cooperativas — a turma das ilhas do Guaíba e da Colmeia. Os artesãos expuseram seus trabalhos ao som da Banda da Brigada Militar, alegrando a população, que foi conferir o evento muito bem divulgado pelos órgãos de comunicação da cidade.

Como o espaço se tornou pequeno, foi necessário reivindicar uma área anexa, “a pracinha”, em frente ao canteiro ocupado atualmente pelo artesanato. Foi então que o Sr. João Mano José, titular da Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio, em 1982, liberou a praça para a realização da Feira de Artesanato. Porém, como a SMIC não era a SMAM (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), o grupo de artesãos não pôde permanecer naquele espaço.

E, como artesão não desiste fácil, atravessaram a rua permanecendo até os dias atuais. Ali somavam-se 172 artesãos titulares e cerca de 250 pessoas envolvidas com a Feira de Artesanato do Bom Fim.

Inaugurada oficialmente em 24 de abril de 1982, um ano depois, em 22 de março de 1983, a Feira foi oficializada através do Decreto nº 8.193.

E a Feira do Bom Fim está de aniversário! Graças à perseverança de um grupo de artesãos que devemos, para sempre, honrar e agradecer.

“O passado sempre fará parte da história que se vive hoje.”RSY

Texto; Rosane T. Lancini Sebastiany

REFERÊNCIAS:

JORNAL DA ARTEFIMPorto Alegre, dez./83 – ano 1 – nº 1HORA DO BRIC – p. 4JORNAL DA ARTEFIM – 23 e 24/04/83FOLHA DA TARDE – 27 e 28/03CORREIO DO POVO – 15/04/82ZERO HORA – 31/03

Brique da RedençãoQuando estiver em Porto Alegre, fique até domingo e não deixe de conhecer o Brique da Redenção, um dos...
19/04/2026

Brique da Redenção

Quando estiver em Porto Alegre, fique até domingo e não deixe de conhecer o Brique da Redenção, um dos pontos mais tradicionais e visitados da capital. Mais do que um brechó que lembra a Feira de San Telmo, de Buenos Aires, o Brique é uma grande feira cultural que desde 1978, quando se chamava Mercado das Pulgas, faz do Parque da Redenção o espaço mais popular e frequentado dos domingos porto-alegrenses.
O Brique da Redenção oferece uma oportunidade ímpar de integração com a pluralidade. Famílias com crianças, casais, grupos das tribos mais exóticas, militantes de partidos políticos transitam na área e, entre um chimarrão e outro, são a plateia de grupos de capoeiristas, músicos e artistas de teatro que fazem do movimento do lugar o palco para apresentar esquetes de peças em exibição na cidade.
A gastronomia é outro atrativo da feira. Dos quitutes da culinária baiana, passando pelas especiarias árabes aos produtos lights e integrais, tem de tudo no Brique. As tendas dos 300 expositores funcionam das 9h às 17h ao longo de toda a arborizada avenida José Bonifácio, colada ao parque. O artesanato é de qualidade, confeccionado em matérias-primas diversas como couro, prata, algodão, madeira, resina, ferro, gesso, vidro e porcelana. Artistas plásticos comercializam telas, caricaturas, xilogravuras e esculturas.
No setor de antiguidades há todo tipo de peças raras e colecionáveis, entre jóias, móveis, utensílios de casa, livros, revistas e discos de vinil. As compras com cartão de crédito são rotina no comércio do Brique. Avenida José Bonifácio - junto ao Parque Farroupilha Horário: aos domingos das 9h às 18h. Site:http://www.briquedaredencao.com.br/"www.briquedaredencao.com.br

Fonte: https://www.turismo.rs.gov.br/turismo/atrativo/visualizar/3393

Neste domingo! Aguardamos vocês
18/04/2026

Neste domingo! Aguardamos vocês

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Porto Alegre, RS
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