26/06/2025
A nova meta de 5% do PIB em gastos com defesa aprovada pela OTAN marca mais do que uma reestruturação orçamentária: representa uma reconfiguração da própria lógica de segurança internacional. Em vez de priorizar esforços coordenados para enfrentar ameaças existenciais como a crise climática, a desigualdade global ou as pandemias, os Estados membros optam por uma agenda de rearmamento em larga escala.
A decisão impulsionada pelos Estados Unidos, especialmente sob a retórica confrontacionista de Trump, pressiona aliados europeus a ampliar seus orçamentos militares — não apenas para manter tropas e equipamentos, mas para militarizar infraestrutura civil, como portos, estradas e redes energéticas. Trata-se de uma OTAN que se distancia de seu papel como aliança política e diplomática e se reposiciona como instrumento de projeção geoestratégica.
❗Enquanto isso, planos ambiciosos e vinculantes para transição energética, mitigação climática ou preparação para desastres permanecem escassos ou não obrigatórios. A comparação é inevitável: por que é mais fácil obter consenso para gastar trilhões em armas do que para salvar o planeta?
O que está em jogo não é apenas uma meta de 5%, mas a própria definição do que significa segurança no século XXI.