13/02/2026
Foi no último domingo.
Domingo azul.
Domingo do “tá maluco”.
Um domingo que amanheceu com o céu em tons de saudade e esperança, desses que apertam o peito e ao mesmo tempo empurram a gente pra rua. Um domingo em que Olinda respirou mais fundo, como quem se prepara para dançar mesmo com o coração pesado. E dançou.
Nos reunimos nos quatro cantos — porque quando o amor chama, ninguém f**a de fora. Vieram estandartes, vieram faixas, vieram passos de frevo, vieram abraços que não se davam há tempos. Vieram algumas das principais agremiações da cidade, cada uma trazendo sua cor, sua música, sua história. Mas todas trazem o mesmo sentimento: homenagear Cíntia Lemos.
Naquele domingo, o amor foi maior do que tudo.
Maior do que a ausência.
Maior do que a distância.
Maior do que a barreira física que nos separa por um tempo.
Porque o frevo atravessa qualquer barreira. Ele atravessa o corpo, atravessa a memória, atravessa o tempo. O frevo sobe ladeiras, contorna esquinas, escorre pelos becos e quem duvida? chega ao céu.
Chega onde for preciso chegar para alcançar quem a gente ama.
Cada passo dançado era um chamado.
Cada música tocada era um recado.
Cada estandarte erguido era um “presente”.
Os quatro cantos viraram altar e terreiro, palco e abraço. As faixas falavam o que a voz embargada não conseguia dizer. Os olhos marejados diziam o resto. Era uma folia atravessada de emoção, dessas que misturam riso e choro, suor e lágrima, frevo e silêncio.
Não à toa, é uma das homenageadas de 2026 da TCM Mulher na Vara, reconhecimento que ecoa tudo o que ela representa e tudo o que ela construiu com coragem, alegria e entrega.
Naquele domingo azul, ninguém estava só.
Porque quando a saudade aperta, a gente se junta.
Quando a dor chama, a gente responde com música.
Quando o amor é grande demais, ele vira frevo.
E virou.
Virou dança no asfalto quente.
Virou estandarte tremulando contra o vento.
Virou promessa de que a memória não morre.
Virou certeza de que Cíntia segue presente na batida do coração, no compasso do passo, no grito coletivo de quem acredita que o carnaval é eterno.
Foi homenagem.
Foi reza.
Foi festa.
Foi amor.
E amor, como o frevo, não conhece limites.