08/03/2026
No século passado, quando a industrialização redesenhou cidades e destinos, milhares de mulheres cruzaram os portões das fábricas. Mantinham seus lares, enfrentavam jornadas exaustivas, criavam seus filhos entre máquinas e incertezas. Ainda assim, ergueram a própria voz: organizaram-se, reivindicaram reconhecimento e ocuparam, passo a passo, o lugar que sempre lhes pertenceu.
Cada direito nasceu da luta.
Cada conquista exigiu coragem.
Mas a história nunca foi linear. Os avanços não dissolveram todas as desigualdades; muitas estruturas permaneceram silenciosas, atravessando o tempo. Há momentos em que o progresso é ameaçado. Há silêncios que pesam mais do que palavras. E, quando a brutalidade alcança uma mulher, não é apenas uma vida que se rompe: é o equilíbrio de toda a comunidade que se altera.
É dessa travessia — de resistência, memória e permanência — que emerge o símbolo que inspira este festival: pão e rosas.
Pão é o essencial: trabalho digno, segurança, justiça que alimenta corpo e espírito.
Rosas representam o sonho legítimo: arte, cultura, liberdade, beleza.
Não se trata apenas de sobreviver.
Trata-se de viver com plenitude.
Nenhuma sociedade permanece inteira quando suas mulheres são feridas. Quando uma voz se cala, o silêncio ecoa em todos nós.
As diferenças de raça, origem, classe social, identidade e expressão de gênero não nos separam, ampliam a riqueza que nos constitui.
Entre 02 e 06 de setembro de 2026, Nova Prata será palco de culturas, tradições e encontros que atravessam fronteiras. Um festival que celebra a arte, honra a história e transforma memória em movimento.
Que nunca falte pão.
Que nunca nos neguem as rosas.
E que Nova Prata se torne símbolo de um tempo em que pão e rosas sejam direitos de todas, onde garantias não sejam favores, mas alicerces..