24/02/2017
SÍTIO BICA DA PEDRA - MEMÓRIA
Sítio Bica da Pedra - Propriedade adquirida em 1942 pelo nosso avô Manuel Cavalcanti Lins, "Seu Cavalcanti o espírita Barbudo" e até os dias de hoje nas mãos de nossa família. Faz parte da memória coletiva do Estado de Alagoas, reduto de banhistas e de apaixonados pela paisagem bucólica da região. As famílias iam passar o dia e fazer pic-nic para desfrutar do maravilhoso banho de Bicas Naturais e, posteriormente, após 1966, banho de piscina natural construída pelo Governador Major Luís Cavalcante com autorização e concordância do meu avô, "para que o povo humilde da região tivesse um lazer de final de semana na piscina" como meu avô mesmo dizia. Em tempos mais antigos era um passeio maravilhoso para visitantes de Maceió, personalidades e turistas dos mais diversos, onde poetas e intelectuais da época gostavam de ir, muitas vezes a convite do meu avô. Ia-se de lancha ou canoa à remo e vela. Seus amigos gostavam de passar dias de férias de verão na Casa Grande do sítio, convidados por ele, para fazer uma "limpeza interna" e melhorar a saúde apenas se alimentando de frutas e da água natural, por indicação e orientação dele. Na nossa saudosa infância passávamos toda as férias escolares no sítio que era um verdadeiro paraíso, à luz de lampiões, sem água encanada só de pote, sem barulho de carros ou músicas, só da natureza. À noite costumávamos nos reunir na pedra com crianças e adolescentes dos outros sítios vizinhos para tocar violão e cantar ao luar à beira de fogueira olhando a bucólica paisagem da lagoa, isso já na década de 70. Na música 'Maceió" também conhecida como "Saudades de Maceió" de Luiz Gonzaga, podemos ouvir o verso que eternizou o nosso sítio na memória histórica do nosso Estado: "As noitadas Felizes nas Ostras, Os amigos que choram até, Que saudades da Bica da Pedra e dos banhos lá do Catolé". Também não podemos aqui deixar de mencionar "O mocotó e o sarapatel da Zefa", figura simples e adorável casada com o TuTú, que morou muitos anos em nosso sítio e fazia o melhor e mais famoso mocotó e sarapatel da região, quiçá do Estado. Morava numa casinha de taipa muito simples quase em frente à pedra e nos fins de semana muita gente vinha de Maceió para comer suas delícias que as rádios divulgavam gratuitamente. Outras figuras muito conhecidas eram nossos moradores que cuidavam do sítio Alvina, Luiz e a sua filha Clarice, durante muitos anos faziam a Gengibirra, uma bebida de cachaça e gengibre que vendiam na "Venda" ao lado da pedra junto com brasileiras e tabaco à retalho. Seu Luiz era irmão do Mossoró. Todos viveram toda uma vida e faleceram no sítio, Alvina com 96 anos. Tenho saudades e a lembrança viva e bucólica da passagem pelo canal da "Lancha do Horário", também conhecida como "Zabumbão", que era o "ônibus" da lagoa e que ligava Marechal Deodoro à Maceió, transportando pessoas e mercadorias, apitando ao longe e parando nas pontes aqui e acolá para recolher os passageiros, bípedes e quadrupedes (porcos, cabras, bodes, galinhas, perús, etc..) Nas fotos pode-se ver a Casa Grande do sítio, como era quando nosso avô adquiriu o sítio em 1942, foto da família em frente a casa, na década de 60, já após a reforma que meu avô fez construindo o muro no alpendre, e fotos de 1947: minha mãe com amigas em cima da Pedra, minha mãe e meu avô na Pedra, Banho de bica, mamãe com amigas na ponte da lancha do horário, várias fotos com amigos e visitantes do sítio, família e amigos no alpendre da Casa Grande. Curiosidades: Antigamente contava-se uma estória de que em um dia de tempestade Marechal Deodoro estava passando por ali à cavalo e não pôde seguir viagem, pernoitando na Casa Grande em uma cama que foi adquirida junto com a casa e que ainda está lá, juntamente com outros móveis de época. Gostaríamos de transformar a casa em um "memorial de época" da região, com fotos e utensílios e abrir à visitação pública com o objetivo cultural e educacional.