20/11/2025
RE-TINTURAS
Recomendação de Maria Cristina Müller
A convite do professor, bailarino e amigo Aguinaldo de Souza, assisti ao processo de preparação do espetáculo Re-Tinturas, com o Balé Alma Negra, no dia 17 de novembro de 2025.
Pude perceber que a dança contemporânea apresentada no espetáculo Re-Tinturas mistura-se com as vidas das pessoas envolvidas com o espetáculo. Primeiro e mais importante: com as pessoas diretamente ligadas à criação e à execução do espetáculo: bailarinas e bailarinos, diretora artística, coreógrafo, preparador corporal, compositor da trilha sonora, técnico de som e luz, cenógrafo, figurinista e todos os envolvidos. Depois, com quem assiste: o espectador.
O Balé Alma Negra traz para o palco a alegria de ser do mundo. Mundo que, segundo Hannah Arendt, é composto por uma pluralidade de seres humanos, únicos e irrepetíveis. Podemos dizer que um mundo repleto de tons. Os movimentos das bailarinas e bailarinos aparecem impelidos pelos tons e entretons das suas peles. A vida e o corpo são revelados no existir singular de cada bailarina e bailarino que está no palco; há a delícia, o encanto, a alegria, a cumplicidade, o amor. No mesmo instante, esta vida e este corpo singular é articulado como a forma única de suportar e enfrentar o que lhe é imposto por um mundo que não acolhe e respeita. A angústia, a dor, a ameaça de morte e tudo mais que viceja e corrói brotam dos movimentos e a denúncia e a reflexão aparecem e ficam.
O espectador é envolvido pelos movimentos, pela trilha sonora, pelo enredo, pelos corpos que se doam e que fazem sentir cada pulsação e respiração. A alegria e a dor vêm e vão. Não é possível a incompreensão, a indiferença ou o medo.
Re-Tinturas colore a alma de quem está ali.
O resultado da obra não esconde que tudo foi estudado, pensado, preparado e construído em conjunto. Cada centímetro dos corpos e cada movimento efetuado revelam a técnica, a força e a plasticidade das almas negras deste corpo de balé.
Recomendo que prestigiem e aplaudam de pé.
O espetáculo será apresentado no dia 20 de novembro – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra – no Teatro Ouro Verde de Londrina, às 20 h.
Uma segunda sessão está marcada para o dia 22 (sábado), no mesmo espaço e horário.
A classificação indicativa é para pessoas de 14 anos e acima.
As entradas gratuitas podem ser retiradas na bilheteria do teatro a partir das 19 h, nos dias das apresentações.
O Projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal. A direção é de Adriana Castro e a coreografia de Aguinaldo de Souza.
Adrian Castro é professora de balé em Londrina, participou do Balé do Teatro Castro Alves, de Salvador (BA), e do Balé de Londrina. Adriana Castro decidiu que era hora de visibilizar a coletivamente temas e formas, técnicas e improvisações para os artistas negros da cidade e que isso viesse a transbordar no palco.
Aguinaldo de Souza, artista negro especializado na área da direção e composição de espetáculos, juntamente com Cláudio Souza, preparador corporal do elenco, ambos bailarinos-referências na cidade, como Adriana Castro, inscreveram seus nomes na história da dança local.
Tonho Costa, assina a trilha sonora original conjuntamente com o percussionista Alex Barros; ambos desenvolveram, sobre as estruturas dos movimentos das bailarinas e bailarinos, em forma de música o que sentiram dos movimentos cênicos. Assim, a trilha sonora está colada a cada movimento em uma harmonia inigualável.
O figurino e a cenografia, são assinados por Gelson Amaral com grafitagem da artista Narizinho, que participa do espetáculo surpreendendo o público. Percebe-se que cenário e figurino fazem parte do processo criativo do espetáculo como um todo e não são apenas adereços para colorir ou vestir; são conceitos e expressões das re-tinturas que movem as vidas e os sentimentos ali discutidos.
A Divisão de Artes Cênicas da UEL foi a casa da montagem do espetáculo “Re-Tinturas” e o lugar que acolheu as duas apresentações que antecedem a estreia no Teatro Ouro Verde, uma de abertura de processos na noite do dia 17 e a pré-estreia, no dia 18. As apresentações no Ouro Verde fazem parte da programação do “Sankofa – Mostra Cultural de Cenas Negras” que acontece de 19 a 23 de novembro na DAC, uma promoção da Casa de Cultura da UEL. A produção conta com a parceria da Blackout Produções e propõe cinco dias de interação cultural, com o tema “A África que nos habita” dentro de um posicionamento e uma visão de mundo que busca atualizar a presença negra na academia e na arte londrinense.
Ficha Técnica do Espetáculo:
Direção Artística: Adriana Castro
Artistas Da Dança (Coreografias, Interpretações e Partituras Cênicas): Amanda Marcondes, Bianca Castro, Eduardo Borges, Ivo Júnior, Júlia Lise, Marcos Izza, Rogério Black, Vitória Gabriela.
Supervisão do Processo Coreográfico: Aguinaldo de Souza
Encenação e Dramaturgia: Aguinaldo de Souza, Adriana Castro e Elenco.
Preparação em Dança: Claudio de Souza
Condução de Ensaios: Adriana Castro, Aguinaldo de Souza E Claudio de Souza.
Artistas Da Música (Trilha Sonora e Composições Originais; Captações de Ensaios, Edições): Tonho Costa e Alex De Barros.
Textos Incidentais (Autoria e Voz): Julia Lise e Amanda Marcondes.
Música Final: Rogério Black
Percussão Em Cena: Alex De Barros
Graffiti Em Cena: Narizinho
Tradução e Interpretação Em Libras: Eduardo Borges
Desenho e Operação De Luz: Guilherme Mantovani
Operação de Som: Cláudio De Souza
Cenografia e Figurinos: Gelson Amaral
Cenotécnica: Marcos Martins
Graffiti Cenário E Figurinos: Narizinho
Produção Executiva: Pá! Artística
Direção de Produção: Álvaro Canholi
Assistente de Produção: Michelle Florêncio
Equipe de Produção: Adriana Castro, Aguinaldo Moreira De Souza, Álvaro Canholi, Claudio de Souza; Michelle Florêncio.
Coordenação de Comunicação: Janaína Ávila e Tamiris Anunciação
Assessoria de Imprensa: Janaína Ávila
Produção Audiovisual: Laboratório Kria
Direção de Produção Audiovisual: Tamiris Anunciação
Captação de Imagens e Edição: Felipe Soares
Fotografia: Ana Henriques
Designer: Luiza Braga
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Cine Teatro Universitário Ouro Verde