Museu Vivo da Capoeira

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MEMÓRIA DO ZELADOR  DA CAPOEIRA  MESTRE RUSSO DE CAXIAS....
15/03/2025

MEMÓRIA DO ZELADOR DA CAPOEIRA
MESTRE RUSSO DE CAXIAS....

QUAL É A REPRESENTATIVIDADE DE SÃO BENTO  NA CAPOEIRA ?. REFERÊNCIA DE PROTEÇÃO:Na devolução popular São Bento é invocad...
25/03/2024

QUAL É A REPRESENTATIVIDADE DE SÃO BENTO NA CAPOEIRA ?.

REFERÊNCIA DE PROTEÇÃO:

Na devolução popular São Bento é invocado para intercessão, combate contra as forças do mal.

Referência:

Paz
A cruz sagrada seja a minha luz.
Não seja o dragão o meu guia.
Retira - te satanás
Não me aconselhes
coisas vás.
E mal que tu me ofereces
bebe tu mesmo
do teu próprio veneno.

A mão abençoando: Em sua imagem, São Bento é representado com uma mão abençoando, o que simboliza um ensinamento bíblico precioso:

“Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; pelo contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança” (Pedro 3:9)

QUEM FOI SÃO BENTO ? A fonte de todos os acontecimentos da vida de São Bento são os Diálogos de São Gregório Magno, redi...
25/03/2024

QUEM FOI SÃO BENTO ?

A fonte de todos os acontecimentos da vida de São Bento são os Diálogos de São Gregório Magno, redigidos por volta de 593, que se baseou em fatos narrados por monges que conheceram pessoalmente São Bento.

Segundo o papa Gregório I, São Bento foi filho de uma família nobre romana da região de Nórcia (próximo à cidade italiana de Espoleto), onde realizou seus primeiros estudos. Mais tarde, foi enviado a Roma para estudar retórica e filosofia, mas, tendo-se decepcionado com a decadência moral da cidade, abandona logo a capital e retira-se para Enfide (atual Affile), em 500. Ajudado por um abade da região chamado romano, instalou-se em uma gruta de difícil acesso, a fim de viver como eremita. Depois de três anos nesse lugar, dedicando-se à oração e ao sacrifício, foi descoberto por alguns pastores, que divulgaram a fama de santidade. A partir de então, foi visitado constantemente por pessoas que buscavam conselhos e direção espiritual.

Foi então eleito abade de um mosteiro em Vicovaro, no centro da península itálica. Por causa do regime de vida exigente, os monges tentaram envenená-lo, mas, no momento em que dava a bênção sobre o alimento, saiu da taça que continha o vinho envenenado uma serpente e o cálice se fez em pedaços. Com isso, São Bento resolve deixar a comunidade e retornando à vida solitária, vivendo consigo mesmo: habitare secum.

Em 503, recebeu grande quantidade de discípulos e fundou doze pequenos mosteiros. Em 529, por causa da inveja do sacerdote Florêncio, tem de se mudar para Monte Cassino, onde fundou o mosteiro que viria a ser o fundamento da expansão da Ordem Beneditina. É nesse episódio que Florêncio lhe enviou de presente um pão envenenado, mas Bento deu o pão a um corvo que todos os dias vinha comer de suas mãos e ordenou à ave que o levasse para longe, onde não pudesse ser encontrado. Durante a saída de Bento para Monte Cassino, Florêncio, sentindo-se vitorioso, saiu ao terraço de sua casa para ver a partida do monge. Entretanto, o terraço ruiu e Florêncio morreu. Um dos discípulos de Bento, Mauro, foi pedir ao mestre que retornasse, pois o inimigo havia morrido, mas Bento chorou pela morte de seu inimigo e também pela alegria de seu discípulo, a quem impôs uma penitência por regozijar-se pela morte do sacerdote.

Em 534, começou a escrever a Regula Monasterio (Regra dos Mosteiros). Morre em 21 de março de 547, tendo antes anunciado a alguns monges que iria morrer e seis dias antes mandado abrir sua sepultura. Sua irmã gêmea Escolástica havia falecido em 10 de fevereiro do mesmo ano.

As representações de São Bento geralmente mostram, junto com o santo, o livro da Regra, um cálice quebrado e um corvo com um pão na boca, em memória ao pão envenenado que recebeu do sacerdote invejoso.

As relíquias de São Bento estão conservadas na cripta da Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire (Fleury), próximo a Orleães e Germigny-des-Prés, no centro da França.

NASCIMENTO: 2 de março 480 d.c, Nórcia Itália
FALECIMENTO: 21 de março de 547 d.c Abadia do Monte Cassino, Itália

MESTRE MENDONÇA Damionor Ribeiro de Mendonça nasceu em 16 de julho de 1931. Sergipano de Aracaju, ele veio para o Rio de...
23/02/2024

MESTRE MENDONÇA

Damionor Ribeiro de Mendonça nasceu em 16 de julho de 1931. Sergipano de Aracaju, ele veio para o Rio de Janeiro na década de 1950.

Filho de general de Exército, ele estabeleceu residência no bairro do Grajaú, zona norte da cidade. O interesse pela capoeira se deu a partir do ano de 1964, momento em que começou a trabalhar no serviço de segurança no Banco do Brasil. Naquela ocasião, decidiu, com alguns companheiros de trabalho, que a capoeira seria uma ótima atividade complementar à sua profissão.

A partir desse momento começou a praticar a capoeira com Artur Emídio, que escolheu como seu mestre. Entretanto, segundo Mestre Bebeto, também aprendeu capoeira com o grupo Bonfim, que se ramificava nessa época pela Zona Norte do Rio de Janeiro. Na década de 1970 Mestre Mendonça dava aulas de capoeira no Satélite Clube do Banco do Brasil.

O interesse de M. Mendonça pela capoeira passou a abranger as políticas públicas direcionadas para o que ele entendia como esporte.

Homenagem da Federação Sergipana de Capoeira
A partir de 1967 começou a lutar pela regulamentação da capoeira. Durante o Segundo Simpósio de Capoeira, em 1969, foram escolhidos representantes de cada estado para a redação do de um pré-projeto de regulamentação da capoeira, que seria enviado ao Departamento de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo. Damionor Mendonça foi escolhido para representar o então estado da Guanabara.

Como responsável pelo projeto, que passou a vigorar como “Regulamento Técnico da Capoeira” a partir de 1973, é creditado a ele a criação do sistema de graduação em cordéis na capoeira nas cores: verde, amarelo, azul e branco com o objetivo de criar uma hierarquia entre os praticantes da capoeira. Baseados nas cores da bandeira do Brasil, os estágios vão desde o cordel verde até o cordel branco de mestre. Como não existia, na época, uma roupa padrão para os capoeiristas, foi instituído o uniforme branco – inspirado na roupa branca tradicional dos antigos capoeiras na Bahia ‑ como o uniforme oficial de seus praticantes.

M. Mendonça foi muito ativo na comissão de mestres de capoeira na Federação Carioca de Pugilismo e, depois também, na Confederação Brasileira de Capoeira, até uma idade avançada. Além disso, era um estudioso da capoeira e compositor de várias músicas tocadas em rodas de capoeira. Pela sua dedicação à capoeira desportiva recebeu várias homenagens como o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. M. Mendonça faleceu em 2017

Geisimara Matos & Matthias Röhrig Assunção (abril de 2020)

O LEGADO DE MESTRE Mendonça para a CapoeiraPara quem desconhece a história do Mestre Mendonça, saiba que ele tem um pape...
23/02/2024

O LEGADO DE MESTRE Mendonça para a Capoeira

Para quem desconhece a história do Mestre Mendonça, saiba que ele tem um papel importante na capoeira como a vemos em nossa atualidade, suas ações literalmente escreveram um novo patamar do termo capoeira para a nossa sociedade e a forma como ela passou a ser vista e adotada na vida de muitas pessoas.

Damionor Ribeiro de Mendonça nasceu em Aracaju, Sergipe em 16 de julho de 1932, e veio para o Rio de Janeiro no inicio da década de 1950. Iniciou na capoeira na década de 1960, se tornando discípulo de Mestre Artur Emidio.

A capoeira nesta época, apesar dos esforços de diversas figuras que tentaram mudar a visão de sua prática desde o inicio de 1900 para um ato desportivo, como: Os artigos com Ilustração de Calixto sobre a capoeiragem para a Revista Kosmos em 1906; Ou a Publicação do livreto Guia do Capoeira ou Ginastica Nacional assinado em 1907; Ou a grande luta entre o campeão japonês de Jiu-Jitsu, Sado Miyako contra o brasileiro Francisco da Silva Cyriaco, mais conhecido como Cyriaco Macaco Velho em 1909; Ou o trabalho de Annibal Burlamaqui em 1928 com a publicação do Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada; Ou as modificações de Mestre Bimba ao criar a Luta Regional Baiana, uma nova concepção para a prática da capoeira, sem usar o nome capoeira; Ou a grande sacada da Federação Carioca de Pugilismo em 1933 ao criar o Departamento de Luta Brasileira (Capoeiragem), seguido posteriormente em 1936 pela Federação Paulista de Pugilismo e em 1941 pela Confederação Brasileira de Pugilismo, com o Decreto Federal 3.199/41 assinado pelo então presidente Getulio Vargas; o entusiasmo que ressurgiu na década de 1950 com o interesse de Acadêmicos nacionais e estrangeiros, artistas, jornalistas e etnologos que passam a exaltar o bairro da Liberdade na Bahia, gravam o som do berimbau em 1955 e passam a fazer pequenos documentários para demonstrar a arte capoeira no exterior; Ou a publicação do livro Capoeira Angola em 1965 por Mestre Pastinha, que no ano seguinte em 1966 comandou a comitiva brasileira que foi se apresentar no Festival Mundial de Arte Negra no Senegal.

Apesar de tudo isso, a capoeira ainda continuava sendo regida pelo Decreto artigo º 847 de 11 de outubro de 1890, que criminalizou a prática da capoeira, tornando-a uma Contravenção penal.

O que faltava então para a capoeira ter um reconhecimento idôneo?

Ela precisava ser regulamentada, e para isso, precisaria do esforço comum de capoeiristas de todo o Brasil e o aval do governo sobre uma norma de aceitação de sua pratica.

O primeiro passo, mesmo que não intencionalmente para que isso ocorresse, foi realizado em 1966 por um entusiasta do folclore nacional, chamado Nóbrega Fontes, que apesar de nunca ter jogado capoeira, resolveu criar uma competição, chamado Troféu Berimbau de Prata, que ocorreu na Feira da Providencia no Rio de Janeiro. O sucesso dessa competição originou outras edições, no qual recebeu o nome de Troféu Berimbau de Ouro.

Assim, com o interesse de participação da capoeiragem de todo o Brasil em disputar esse troféu, ressurgiu o interesse em debater e falar sobre a capoeira, o que originou o Primeiro Simpósio de Capoeira realizado em 1968 no Campo dos Afonso, por iniciativa da Federação Carioca de Pugilismo e apoio do Ministério da Aeronáutica, com o propósito de catalogar os golpes, as esquivas, as negativas e a nomenclatura pelo qual eram conhecidos os diversos movimentos da capoeiragem, com a participação de representantes dos estados da Guanabara, do Rio De Janeiro, de Minas Gerais, da Bahia e de São Paulo.

A coisa caminhou tão bem, que foi marcado para o ano seguinte, em 1969 um novo Simpósio de Capoeira onde eles retornariam com mais informações e a Presença de mais capoeiristas para concluirem a Relação com uma nomenclatura em comum tanto para as esquivas quanto para os golpes e demais movimentos da capoeiragem. E foi o que aconteceu!

Neste Segundo Simpósio de Capoeira, também foram nomeados representantes de cada estado para redigirem textos de um anteprojeto de regulamento de capoeira, para ser enviado ao Departamento de Capoeiragem da Confederação Brasileira de Pugilismo.

E aqui chegamos ao senhor Damionor Ribeiro de Mendonça, que foi escolhido como representante do Estado da Guanabara para ser o redator deste anteprojeto. Mestre Mendonça então uniu o seu conhecimento sobre a capoeira e passou a realizar diversas pesquisas entre Torneios, visitas e troca de Informações com outros Mestres para elaborar o seu texto.

Esse texto deveria ser artístico e Responsável, Não poderia sucumbir a pressão externas para valorizar esta ou aquela parte, deveria ser simples e de fácil entendimento, para que os praticantes e até mesmo os leigos da capoeira pudessem compreender, e fundamentalmente, para que os governantes vissem e aplaudirem o potencial da capoeira como luta, como desporto, e assim, a mesma fosse retirada do código penal brasileiro.

Como um bom patriota e de forma a valorizar a capoeira como genuína Arte Marcial Brasileira, Mestre Mendonça fundamentou seu anteprojeto em demonstrar nossa nacionalidade e valorizar a capoeira atual como uma arte correta, cujos praticantes são pessoas do bem, ao contrário do Decreto artigo 847 que tratava os capoeiristas como vadios e criminosos.

Citarei aqui 2 pontos de extremo valor que acompanhe o anteprojeto:

A) GRADUAÇÃO

De forma a ter uma Organização e para que os capoeiristas se entendessem e se respeitassem de forma sadia e hierárquica nas Rodas de Capoeira, Mestre Mendonça criou um sistema de Graduação chamado Cordel.

O nome cordel é uma homenagem á literatura de cordel, um genero literário de origem portuguesa onde os textos eram escritos em folhetos, pendurados em cordeis ou barbantes para Exposição, esse gênero foi perpetuado no nordeste brasileiro passando a ser conhecido em todo o território nacional, onde seus autores ou cordelitas recitam seus textos/versos de forma melodiosa e cadenciada, muitas vezes acompanhados de uma viola.

As cores dessa Graduação foram baseadas nas cores da Bandeira Nacional Brasileira, estabelecida de forma lógica, conforme a maior concentração ou quantidade dessa cor em nossa bandeira, sendo a primeira cor verde, depois o amarelo e o azul. A cor branca entra no nível de mestre.

A Graduação original de Cordel fundamentada pelo Mestre Mendonça tem 10 estágios, sendo eles:

1º Estágio Cordel Verde

2º Estágio Cordel Verde-Amarelo

3º Estágio Cordel Amarelo

4º Estágio Cordel Amarelo-Azul

5º Estágio Cordel Azul (Formado)

6º Estágio Cordel Verde-Amarelo-Azul (Contramestre)

7º Estágio Cordel Branco-Verde (Mestre de 1º Grau)

8º Estágio Cordel Branco-Amarelo (Mestre de 2º Grau)

9º Estágio Cordel Branco-Azul (Mestre de 3° Grau)

10º Estágio “ Cordel Branco (Mestre 4°Grau).

Observações sobre a Graduação:

a) Note que nesta época a prática da capoeira em sua maioria ainda era feita de forma furtiva por adolescentes e adultos, sua pratica pela sociedade era considerada coisa de vadios e não se daria esse título a crianças. Desta forma, os estágios foram pensados para o inicio da vida adulta.

b) Independente das cores, os estágios abaixo de Mestre correspondiam a todas as etapas necessarias para o aprendizado de um aluno na compreensão da maioria dos mestres brasileiros.

c) A Separação de Mestres em graus se faz, porque os mesmos se encontram em constante Evolução de conhecimento, ninguém chega a mestre e se torna automaticamente o detentor de todo o conhecimento. Desta forma foram criados 4 graus, cuja Mudança de graduações ocorreria a cada 10 anos. Isso gera o respeito mútuo entre os próprios Mestres e a Valorização dos mais velhos pela longa caminhada percorrida até o seu estágio.

d) Para a Confecção do cordel, o material utilizado deveria ser o fio de seda, em homenagem as maltas cariocas que usavam a seda como Proteção ao corte da navalha, utilizado como arma da capoeiragem no passado. Para o trançado do cordel seria utilizado 9 fios, sendo separado em 3 grupos de 3, dando Referência a cabalística do Três que está presente dentro da capoeira, como o uso de 3 berimbaus para compor o ritmo.

e) Um fato simbólico e que poucos sabem o porque do cordel ser amarrado do lado direito do corpo. Segundo o Mestre, a amarração da regulamentação simboliza uma nova etapa da capoeira, onde o capoeira deixaria de ser um vadio, de acordo com o artigo penal brasileiro, e passaria a ser considerado um cidadão de bem, um cidadão da direita.

B) UNIFORME

Mestre Mendonça em suas pesquisas, Também elaborou um Padrão de uniforme para a prática da capoeira, o simbolismo do uso do uniforme também atende ao preceito da Mudança de paradigma entre o conceito do capoeira ser vadio, para o conceito do praticante de capoeira ser um cidadão de bem, tendo a lisura e o respeito em um uniforme limpo. Assim, a Calça deveria ser branca, em helanca ou tecido similar, cuja bainha alcance o tornozelo, atada a cintura pelo cordel indicativo da classe a que pertence o atleta. Seria proibido o uso de outra cor, bem como o uso de cintos, bolsos, fivelas e etc, que pudessem ser utilizados para esconder objetos que se tornassem armas nas Mãos dos praticantes; O capoeirista Vestirão¡ camisa branca de malha, tendo estampado no peito o escudo de sua entidade; O cordel deve ser colocado na calça do capoeirista, transpondo as passadeiras, de maneira que seja dado um nó, no lado direito da cintura e que fiquem pendentes as duas pontas do cordel, na altura do joelho.

Observem nestes exemplos, que a Preocupação tática e a Valorização para que o capoeirista recebesse o respeito da sociedade para seus praticantes, sempre esteve delineado nas Intenções do Mestre Mendonça, e pelo conjunto da obra, e talvez por essa Percepção tão idealista do futuro da capoeira, o anteprojeto redigido pelo Mestre, foi aceito e encaminhado para o Departamento de Capoeiragem da Confederação Brasileira de Pugilismo.

Em 26 de dezembro de 1972, o anteprojeto do Mestre Mendonça foi homologado pelo Conselho Nacional de Desporto (CND-MEC) e se tornou o Regulamento Técnico da Capoeira (RTC), passando a vigorar a partir de 01 de janeiro de 1973.

Foi por causa desse homem, critico e convicto de suas ações que a capoeiragem deixava de ser uma Contravenção penal e passaria a ser reconhecida oficialmente como luta, esporte e cultura.

E assim, a partir de 1973 que a prática da capoeira foi liberada livremente para todo o Território nacional, foi permitido registrar oficialmente, pelo que hoje é conhecido como CNPJ, os grupos de capoeira e também a Formação de Associação, ligas, Federação e Confederação.

Todos os grupos e associados já criados e registrados atualmente, devem há memória deste homem, a liberdade de hoje poderem abrir suas academias, receber seus alunos, realizar seus eventos, sem o medo de ser preso como vadio e fichado em registros policiais, o que muito aconteceu até o inicio da decada de 70.

Mas com direitos e deveres, e muita gente foge quando passa a ter uma responsabilidade, e assim, passa a criar Desavenças ou fazer críticas.

Após o primeiro Campeonato Oficial de Capoeira realizado em 1974 no Estado da Guanabara, algumas Divergências foram levantadas sobre o tipo de Competição que estava sendo disputada, assim como o uso da Graduação e uniforme, foi estabelecido que ocorresse em maio de 1975, um Congresso em Salvador cuja pauta teria graduações, uniforme e campeonato individual.

Neste Congresso de Salvador estiveram presentes delegações de vários estados, e após 3 dias de Discussões, para resolver o impasse da pauta sobre graduações e uniformes, foi estabelecido que no Campeonato Brasileiro de Capoeira Individual que seria realizado neste mesmo ano de 1975 no Estado de Sãoo Paulo, a equipe que se consagra se campeão da Competição, os demais estados passariam a adotar seu uniforme e Graduação como Padrão nacional, acabando assim com as Divergências levantadas.

Pois bem, por méritos dos atletas na Competição no Campeonato Brasileiro de Capoeira de 1975 realizado em São Paulo, mas de uma informação surgiram várias Divergências levantadas atenção, a equipe que se consagrou campeão foi o Estado da Guanabara, equipe que utilizava fielmente o Padrão de Graduação e uniforme criado por Mestre Mendonça.

Assim, por ato regulatório homologado pelo CND-MEC em 1972 e por uma Competição nacional disputada por representantes das principais Federação da época em 1975, o sistema de Graduação de Cordel e Uniforme Branco, era efetivado como o Padrão da Arte Marcial Brasileira Capoeira.

Respondendo a pergunta inicial: Quem foi Mestre Mendonça?

Assumiu a responsabilidade de escrever o anteprojeto do Estado da Guanabara, e o mesmo se tornou o Regulamento Técnico da Capoeira (RTC)em 26 de dezembro de 1972 que passou a vigorar em 1° de janeiro de 1973;

Por esse feito, quando o Departamento de Capoeiragem da Confederação Brasileira de Pugilismo passou a registrar oficialmente os Mestres de Capoeira, ele recebeu o registro Numero 0001;

Foi o inventor do primeiro berimbau feito de bambu, na época muitos o criticaram, mas na atualidade o uso do bambú apreciado por muitos Mestres;

Também inventou o uso do dobrão de cristal;

O autor de mais de 120 músicas, incluindo as de São Bento, que são as mais cantadas em rodas;

Escreveu um livro com mais de 500 ditados populares em versos e rimas e os adaptou à música de capoeira;

Criou cantigas de roda, músicas infantis com letras e fundamentos para a capoeira;

Recebeu da Câmara Municipal do Estado do Rio de Janeiro o título de Cidadão Honorio do município do Rio de Janeiro; Medalha de Mérito Pedro Ernesto; Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro; Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio De Janeiro.

Dedicou boa parte de sua vida ao importante trabalho de estudo e aprofundamento da capoeira; A Preservação da memória das raizes desta importante Manifestação cultural e esportiva; Tendo ainda criado o Centro de Informação de Capoeira (CICAP).

Mestre Mendonça dizia ter tido magoas e Frustração, em certos momentos foi perseguido e hostilizado, e chegou até se afastar da capoeira, mas reencontrou o caminho com o respeito e a Valorização dos capoeiristas que nunca deixaram de acreditar em seus ensinamentos, dos discípulos que formou e perpetuam essa História marcante no mundo da capoeira, e de seus familiares que honram o nome Mendonça e continuam atuantes na capoeira.

Quando Você ver um uniforme branco de capoeira na rua, nas escolas, nas academias ou em qualquer outro lugar, saiba que ali Está¡ a marca deste homem, apesar do mundo globalizado e capitalista ter distorcido um pouco os ideais almejados por ele, a capoeira ao redor do mundo tem muito a agradecer por tudo o que ele fez!

Mestre Mendonça dizia que a palavra ( IÊ ) significa atenção serve para tudo na capoeira. Ela é uma saudação, um cumprimento, uma Manifestação de alegria, uma forma de chamar a atenção dos alunos e etc.

No mês de março de 2017 perdemos o Mestre Mendonça

IÊ... Viva a Memória de Mestre Mendonça.

Publicado em 03/04/2017, enviado por: jeffestanislau

Fontes de Referência:

Mestre Bogado
Apostila da Associação de Capoeira Barravento

MESTRE :  Artur EmídioArtur Emídio de Oliveira nasceu em 1930 e viveu toda sua juventude em Itabuna (Bahia), onde comple...
11/02/2024

MESTRE : Artur Emídio

Artur Emídio de Oliveira nasceu em 1930 e viveu toda sua juventude em Itabuna (Bahia), onde completou os estudos até o ginásio.

Conforme seu depoimento, aprendeu capoeira “na rua, no rés do chão”, aos 7 anos de idade, com “Paizinho” (Teodoro Ramos), seu mestre. Com a morte de Paizinho em 1945, Emídio assumiu a academia, ainda aos 15 anos de idade. Apesar da pouca idade passou a ensinar aos alunos de Paizinho e logo começou a ganhar notoriedade, recebendo até alunos de Salvador.

Saiu de Itabuna no início da década 1950, quando tinha pouco mais de 20 anos de idade. Roberto Pereira, sugeriu que teria sido motivado pela leitura numa revista sobre lutas entre capoeira e jiu-jitsu. Artur primeiro foi para São Paulo onde desafiou lutadores de diversas modalidades. Na capital paulista Artur Emídio residiu por mais ou menos um ano. Depois dessa pequena temporada em São Paulo, se estabeleceu no Rio de Janeiro a partir de 1953.

O início da trajetória de Artur Emídio em São Paulo e no Rio de Janeiro é marcado pelas lutas de ringue. Na primeira luta de que temos notícia no Rio, em 29 de junho de 1953, enfrentou Rudolf Hermanny, aluno de Sinhozinho, e perdeu por nocaute. Talvez por isso tenha visitado a academia dos Gracie, onde deve ter apreendido algumas noções de jiu-jitsu.

Artur Emídio bem jovem, em foto de viagem. Foto: Acervo André Lacé.
Acabou sendo praticante do que se chamava, na época, de luta livre. No entanto, fazia questão de afirmar a superioridade da capoeira sobre outras lutas. Uma das questões nessas lutas entre modalidades diferentes foi o uso do uniforme e outra foi a dos golpes permitidos. Artur Emídio recusava-se a usar quimono e exigia lutar de calção, calçado de tênis e empregar todos os golpes de capoeira.

Ele e Robson Gracie protagonizaram uma das lutas mais famosas no ringue. No fatídico dia 13 de abril de 1957, como relata o Diário Carioca, Emídio foi “derrubado logo no começo”, sofrendo “estrangulamento pelas costas”. A luta durou apenas quatro minutos. As derrotas levaram Emídio a procurar outros caminhos para a sua arte e sua carreira de capoeirista, no entanto, a experiência do ringue marcou o seu estilo – rápido e objetivo. Mestre Burguês, que conviveu com Artur Emídio na década de 70, caracteriza seu estilo assim: “Eu vi várias vezes ele dando aula. Ele tinha uma preocupação muito grande com a objetividade, a eficiência da capoeira. A capoeira é luta, mas o capoeirista sempre procurando descer, esquivar, não ter o confronto direto de o cara chutar e querer bloquear com o golpe.” As entradas e a velocidade passaram a caracterizar o estilo de Emídio, como lembra Mestre Silas: “O símbolo do Artur Emídio era o raio, porque ele era muito veloz”.

Começou a dar aula na academia de luta livre de Waldemar Santana, em Higienópolis. Essa academia era localizada em cima da farmácia Rio Novo, na Avenida dos Democráticos, 1313, lugar onde Artur também trabalhou como massagista. Algum tempo depois instalou sua própria academia na rua Manuel Fontenele, a rua detrás da farmácia. Nesse momento havia poucos lugares para se praticar capoeira no Rio de Janeiro e a “Academia de Capoeira Artur Emídio” foi uma das primeiras na cidade. A roda de domingo na academia de Artur teve um papel muito importante no desenvolvimento da capoeira contemporânea carioca, e mesmo brasileira, por ter sido um ponto de encontro importante entre capoeiristas de vários estilos. Conforme depoimento de Mestre Paulão: “Na roda do Mestre Artur Emídio vinham mestres de todo o Brasil, […] ali concentrava o subúrbio, a zona norte e a zona sul, era uma capoeira eclética.” A bateria da roda era formada por exímios tocadores de berimbau, como os mestres Paraná e Mucungê. A partir da década de 1960, Artur Emídio abandona o ringue e passa a se dedicar exclusivamente à capoeira, seja cuidando de sua academia, seja fazendo apresentações pela cidade, arbitrando em competições de capoeira (como o Berimbau de Ouro) ou se envolvendo na Federação Carioca de Pugilismo, que então começava a institucionalizar a capoeira, formalizando a prática e estabelecendo regras. Ele também trabalhava como massagista e, conforme depoimento de M. Gegê, Artur orgulhava-se muito de ter tratado Martha Rocha, após ser consagrada Miss Brasil, em 1954.

Artur Emídio destacou-se como um dos mestres que mais divulgava a capoeira em vários espaços e mídias, desde aulas a shows e programas de TV. Em entrevista concedida à Revista do Esporte, em 1959, ele já afirmava: “[se] as autoridades brasileiras me apoiarem, mostrarei que não existe esporte mais bonito ou exercício mais perfeito para o corpo humano do que a nossa capoeira”.

Com Djalma Bandeira (um de seus primeiros alunos), apresentava-se com um número de capoeira no espetáculo de variedades folclóricas “Skindô”. O empresário Abraão Medina os contratou para se apresentarem acompanhando o show do Nelson Gonçalves, em Nova York, Paris, Acapulco e Buenos Aires. É acertado dizer que Artur foi um dos pioneiros na internacionalização da capoeira.

Artur Emídio formou muitos mestres importantes como Djalma Bandeira, Paulo Gomes, Mendonça, Leopoldina e Roberval Serejo, transmitindo para a posteridade seu estilo e sua agilidade, características que marcaram a emergente capoeira contemporânea.

Artur Emídio de Oliveira, 1930-2011

Documentários de Geisimara Matos & Matthias Röhrig Assunção (junho de 2019)

HISTÓRIA DE MESTRE  QUE CONTRIBUÍRAM PARA A CAPOEIRA DE NOSSA CIDADECAPOEIRA CONTEMPORÂNEAMESTRE CELSO PEPECelso Pepe na...
07/02/2024

HISTÓRIA DE MESTRE QUE CONTRIBUÍRAM PARA A CAPOEIRA DE NOSSA CIDADE

CAPOEIRA CONTEMPORÂNEA

MESTRE CELSO PEPE

Celso Pepe nasceu em 1949, no Rio de Janeiro.

Seu pai, Hugo Pepe, foi combatente da FAB na Itália e serviu na famosa batalha de Monte Castelo. Celso se iniciou na capoeira em 1957. Nessa época, morava no conjunto residencial IAPC, em Olaria, e era vizinho de Djalma Bandeira. Todo domingo de manhã escutava uma batida de pandeiro e outros instrumentos vindos do centro comunitário do condomínio. Com apenas oito anos escapuliu de casa e foi para o centro comunitário, onde assistiu pela primeira vez uma aula de capoeira ministrada por Djalma. Apresentou-se e pediu para participar, no entanto, Djalma recusou, alegando que ele era muito criança.

Decidiu então praticar sozinho, mas continuava assistindo o treino e as ocasionais rodas de domingo de manhã. Viu ali Mestre Artur Emídio e seus estudantes, ou seja, a velha guarda dos alunos de 1956, e também o Mestre Paraná. Celso se juntou então a um amigo da mesma faixa etária, Luiz Garcia Filho, de apelido Pelé, e a seu irmão, Walter Hugo Pepe. Esses três garotos, sozinhos, treinavam atrás de um prédio do IAPC, durante vários meses, reproduzindo todos os movimentos que viam na aula de Djalma.

A partir de 1959-60 Leopoldina e Djalma Bandeira convidaram Celso Pepe para exibição em vários eventos. Ia com a autorização dos pais e Leopoldina ou Djalma ficavam responsáveis por ele. Se apresentou com Djalma na TV Rio, no programa Carlos Imperial, por várias vezes, e também em outras emissoras, por exemplo na TV Tupi, com o CM Paulo Russo (aluno do Djalma), no programa semanal “Em Guarda”. Como sempre precisavam apresentar novidades (e na época quase ninguém conhecia a capoeira), constantemente eram convidados para se apresentarem na TV e em outros eventos.

Celso participou de uma caravana de shows de lutas, da primeira Feira da Providência e do primeiro desfile de escola de samba com capoeira. Isso foi em 1961, com M. Leopoldina, no enredo “Reminiscências do Rio Antigo”, da Mangueira. Depois acompanhou Leopoldina no Cacique de Ramos, conforme registrou o Diário de Notícias, em 1965.
Mestre Celso Pepe aprendeu simultaneamente com dois alunos de Artur Emídio: fazia aulas com Leopoldina e assistia as aulas e rodas com Djalma Bandeira, seu vizinho.

Quando ele começou a ficar bom de capoeira e já mais velho, Djalma passou a convidá-lo para treinar com s**o na sua academia e ir aos treinos. Por isso, Mestre Celso afirma: “Tudo que aprendi olhando Djalma, foi o jogo de São Bento Grande e depois eu fui aprender com Leopoldina o jogo de Angola, São Bento Pequeno. Então eu aprendi dois estilos diferenciados um do outro”. Tempos depois Celso se matriculou com seu irmão Hugo na academia Guanabara, onde eram oferecidas aulas de artes marciais e luta livre. Lá, praticou judô, jiu-jitsu e luta livre. Um dia, como ele mesmo conta, chegou à academia um senhor, preto, magro, e o professor Vinagre da academia avisou: “Esse é capoeirista! O nome dele é Leopoldina.” Naquela época Leopoldina tinha 23 anos e era aluno de Artur Emídio. Leopoldina ainda tentou desconversar: “Eu ainda sou aluno!” Mas Celso tanto insistiu que queria aulas com ele, que Leopoldina acabou marcando de treinar ao ar livre, debaixo de uma amendoeira, no quintal da academia Guanabara no domingo seguinte. Assim, segundo Celso Pepe, os primeiros alunos de Leopoldina foram esses três meninos: Hugo, Pelé e ele.

Tempos depois Celso se matriculou com seu irmão Hugo na academia Guanabara, onde eram oferecidas aulas de artes marciais e luta livre. Lá, praticou judô, jiu-jitsu e luta livre.Um dia, como ele mesmo conta, chegou à academia um senhor, preto, magro, e o professor Vinagre da academia avisou: “Esse é capoeirista! O nome dele é Leopoldina.” Naquela época Leopoldina tinha 23 anos e era aluno de Artur Emídio. Leopoldina ainda tentou desconversar: “Eu ainda sou aluno!”

Mas Celso tanto insistiu que queria aulas com ele, que Leopoldina acabou marcando de treinar ao ar livre, debaixo de uma amendoeira, no quintal da academia Guanabara no domingo seguinte. Assim, segundo Celso Pepe, os primeiros alunos de Leopoldina foram esses três meninos: Hugo, Pelé e ele.

Em 1968, o samba enredo da Imperatriz Leopoldinense dizia: Em te exaltar Bahia Nas tuas feiras os famosos capoeiras Ao som do pandeiro e do berimbau Demonstram dançando e cantando Que és de fato original Beribá é pau, beribá é pau Beribá é pau, de fazer berimbau (bis).

Nessa época conheceu o bloco Sai como Pode, em Ramos. Nesse bloco, deu aula pela primeira vez para vinte alunos, entre crianças e adolescentes. Se desvinculou de Leopoldina em termos de aulas, mas continuava com ele nas apresentações. Quando Celso Pepe começou a ensinar, usou os dois estilos de seus dois professores e batizou seu estilo de “capoeira carioca”. Segundo suas palavras, é “um jogo em cima, em baixo, no meio, com flexibilidade, sem fugir das origens”. Celso Pepe foi professor de muitos alunos, “centenas”, segundo afirma. Uma característica marcante é que ele ensinou em muitos lugares, diferenciados pela geografia e o meio social. Começou a dar aula na academia Líder, em Caxias, e depois na Imperatriz Leopoldinense, na Penha; ensinou na Tijuca, em Copacabana e no Complexo do Alemão. Como diz: “Consegui arrumar problemas, porque não me tranquei num espaço”. No Alemão bateu de frente com uma gangue e teve que sair. Na Tijuca, no Clube Orfeão Portugal, enfrentou uma quadrilha de lutadores de karatê. Em Copacabana, deu aula no Sport Club Radar e na Igreja Presbiterana na Barata Ribeiro. Na Penha, seus alunos, entre eles o Mestre Touro ainda criança, eram conhecidos como os “cabeludos de Pepe”, enquanto outro grupo de alunos de classe média de Copacabana era chamado de “playboys do Mestre Pepe”.

Mestre Celso Pepe enfatiza, no entanto, que começou na capoeira numa época muito pesada. A capoeira ainda era muito discriminada. Ele lembra que foi xingado, cuspido e até preso simplesmente por estar na rua. Seu próprio pai o chamava de vagabundo, porque queria viver de capoeira. Assim, quando se casou, aos 28 anos, tirou carteira de motorista e começou a ganhar sua vida como taxista, profissão que o sustenta até hoje. No entanto, nunca abandonou a capoeira e deu aulas até 2003.

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