16/04/2026
O maior risco de uma fazenda familiar não vem da seca, nem da queda de preços.
Vem do silêncio.
O silêncio sobre quem vai continuar o que a família construiu por gerações.
Os números são duros: apenas 30% das propriedades rurais familiares chegam à segunda geração. Somente 5% ultrapassam a terceira. E 75% das empresas familiares brasileiras fecham após os herdeiros assumirem o negócio — segundo dados da PwC.
O agronegócio movimenta R$ 2,72 trilhões por ano. Representa mais de 24% do PIB nacional. Tem 3,9 milhões de estabelecimentos rurais familiares. Responde por 67% das ocupações no campo e por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.
E mesmo assim, 38% dos produtores rurais ainda não abordaram o tema da sucessão com a família.
Por quê?
Porque falar de sucessão parece falar de morte. De conflito. De "quem vai f**ar com o que".
Mas as famílias que fizeram essa conversa — com planejamento, com apoio jurídico e com visão de longo prazo — são as que hoje têm fazendas que cresceram de geração em geração, com profissionalização crescente e menos conflito, não mais.
Pesquisa da Fundação Dom Cabral revelou que mais de 80% das empresas do agronegócio ainda são comandadas pelos fundadores ou pela segunda geração. Apenas 16% chegaram à terceira. E somente 1% à quarta.
O campo brasileiro perdeu 4,3 milhões de moradores entre 2010 e 2022. Os jovens estão indo para as cidades. A população rural caiu de 18,8% para 12,4% da população total.
A questão não é se haverá sucessão. É se ela vai ser planejada ou vai acontecer no caos.
Três perguntas que toda família rural deveria responder hoje:
→ Quem são os possíveis sucessores e qual o interesse real de cada um?
→ Existe um plano formal de transição de gestão — não apenas de patrimônio?
→ Os filhos estão sendo preparados para gerir, ou apenas para herdar?
Sucessão não é um evento. É um processo. E quanto antes começa, mais chances tem de dar certo.
No AgriEnergy Summit, esse é um dos temas que mais gera debate — porque toca onde dói e onde importa ao mesmo tempo.
Qual é a experiência de vocês com esse tema? Já viveram ou acompanharam uma transição de gestão no campo? Conta aqui nos comentários — essas histórias precisam circular.