27/05/2026
“Responda, Cadáver!” é uma expressão muitíssimo interessante para pensar a posição paradoxal ocupada também pelo EPHIS. O EPHIS é um cadáver ao qual, continuamente, instamos que responda às questões do nosso tempo. O extraordinário é que o EPHIS responde. Ano após ano, o EPHIS ressuscita das ruínas do evento anterior e diz, em um movimento verdadeiramente clariceano, “Agora, eu estou morto, vamos ver se ressuscito”.
Nesse sentido, eu insistiria que o afeto central experimentado por todas as comissões do EPHIS é o desamparo. Estar desamparado é não ter em que se amparar, mas também é não estar constrangido por nada e, portanto, estar absolutamente disponível a inventar o impossível — gesto megalomaníaco, é verdade, mas virtude de quem não tem medo de dar nome ao que ainda não existe.
Como diria Jonathan Lear, o mais profundo desamparo convoca uma forma radical de esperança. O EPHIS é, sobretudo, uma forma da esperança. Não essa esperança otimista que acredita que o futuro se realizará conforme a vontade, mas uma esperança que é força suficiente capaz de afetar a partir das ruínas. “Responda, cadáver!”. E o cadáver responde.
Assim, se esta Comissão aprendeu alguma coisa com o evento deste ano; se temos alguma coisa a dizer às próximas comissões, talvez seja que não precisamos mais temer a morte do EPHIS, mas, sim, cultivar a esperança que é sempre e apesar de tudo poder continuar.
Nos vemos no próximo EPHIS.
📸Fotos por
🗒Trecho do texto de .gomes