11/03/2018
Parece um pouco estranho, mas vejo o trekking como uma perfeita metáfora para a vida. Sempre senti que esta atividade possui uma relação muito forte com a maneira na qual lidamos com a nossa existência. Vou explicar melhor.
Acho impressionante como a prática da caminhada ao ar livre se assemelha a toda uma trajetória de vida. No trekking, encontramos dificuldades, alegrias, momentos difíceis, realizações, medo, descobrimos nossos limites, estimulamos a autoconfiança e planejamos alguns passos. E na vida também é assim. E vai além: caímos, levantamos, encontramos pedras, percorremos caminhos altos e baixos, nos distanciamos de pessoas, nos perdemos, nos encontramos, andamos sozinhos, andamos acompanhados, fazemos amigos, ganhamos desafetos e sempre estamos buscamos o ponto mais alto: a nossa realização pessoal.
Além disso, enxergo que o trekking seja uma verdadeira escola que tem um papel muito forte na construção de alguns valores, como solidariedade, companheirismo, consciência ecológica e diversos outros. Há quem possa dizer que tudo isso é bobagem, que o trekking não passa apenas de uma atividade ao ar livre. Nada além disso. Mas, em minha opinião, o trekking ajuda no processo de construção de identidade, como por exemplo, ter uma visão menos materialista do mundo, mas é certo dizer que não possui nenhuma garantia de mudança. Ele dá a a oportunidade, mas vai de pessoa para pessoa.
Se carregamos muita carga pesada, também vivenciamos experiências que auxiliam na lapidação da nossa personalidade. Ou seja, conhecemos os nossos limites, viajamos, visitamos lugares fantásticos, lidamos com pessoas… enfim, todos os acontecimentos do trekking, como as tensões, tomada de decisões, conquistas, improvisos, sucessos, frustrações e outras experiências vivenciadas na caminhada são pertinentes à trajetória de vida do ser humano.
Então, assim como na caminhada da vida, a prática do trekking é um constante aprendizado e, uma vez que começamos a viajar, que colocamos a mochila nas costas, que aprendemos a caminhar, não queremos mais parar.
Texto: Rafael Kosoniscs.