Volume Morto
Desde os anos 90, se tomarmos uma perspectiva estrutural, o rock deixou de representar as galeras mais rebeldes e dispostas a desconstruir e dissolver os valores tradicionais, as forças conservadoras. O mundo mudou e o rock se viu brancoso, misógeno e conservador, claro, desde Elvis era assim mas houve várias transformações, como o punk, art rock, Gliter, Riot “Grrril” só que agora es
se ar novo e rebelde , migrou para outras paragens. O rock comercial atualmente sobrevive do clássico, pois seu público envelheceu com ele. A produção de rock contemporânea sumiu do mainstream, e no underground a maiorias dos artistas repetem velhos clichês para públicos esvaziados composto de amigos. Muitos rockers preferem beber Coroti e cheirar pino vagabundo de bright, ouvindo som mecânico em bares perto do metrô e tão se fudendo para shows com bilheteria de cinco reais e mesmo gratuitos. A maioria na multidão de corvos roqueiros undergrounds não estão questionando gênero, machismo, política, misoginia, racismo. Aqueles que estão, já não usam o rótulo de rock, fazem um híbrido, eletrônico, timbres vintage, que as vezes chamam de nova mpb. Alguns são claramente rock, como a Karina Buhr, já a viram no palco? Mas acho que ela não se vê como roqueira, por que o rock tá distante das questões radicais que ela traz, ausência de rótulo, lhe cai melhor, assim como a Liniker, lineker, Negro Leo, artistas que usam o rock como elemento, mas não como denominador. No entanto, existe, óbvio, a resistência dentro do underground, artistas que estão dentro do gênero do rock e estão sintonizados com uma forma de viver a cidade produzindo diferença, artistas que moram em ocupações , como a do ouvidor, “Nicolas não tem banda” canta a desconstrução da identidade sexual a partir do poeta e cantor pássaro negro Luís Só, “Verônica decide Morrer” canta a vida da trans, Verónica em uma metrópole. O Rakta é uma banda de garotas que por ter algo a dizer de novo, gera uma identificação com uma tribo de gatas empoderadas que chegam até elas do Brasil ao Japão.Há o rios voadores em Brasília, carne doçe em goiânia, na real tem muita gente caralho... Muitas destas bandas podem ter um formato pop em termos de estrutura (tempo 4/4, refrões, músicas curtas) ou podem buscar outros formatos que desconstroem a formação básica de uma banda de rock, como as vampiras veganas, indo ao extremo, como knop, Cão, Juliana R e aí entra em intercessão com a arte contemporânea, música como textura, performance, artes visuais… mas ainda mantendo uma ligação com o rock, seja como formação ou por tá no mesmo rolê. Por tudo isso existe o festival VOLUME MORTO, para evidenciar essa água cheia de sedimento e não tratada, bruta, que tenha a força revolucionária da mudança, algo urgente para dizer que chega a ouvidos novos, cansados de ouvir rocks falando apenas de bares, mulheres, álcool, Castelos, princesas, Orcs,
Jonnata doll