25/07/2017
POR UM HIP HOP SEM VIOLÊNCIA E SEM MACHISMO
NOTA DE REPÚDIO AOS ACONTECIMENTOS DO ÚLTIMO SÁBADO (DIA 22 DE JULHO DE 2017)
Viemos por meio desta nota, relatar os lamentáveis acontecimentos que ocorreram no último dia 22, depois do sarau de quebrada, organizado pelo coletivo Entre Becos, no bairro Santa Maria.
Após o término do evento, um grupo de aproximadamente 15 pessoas aguardava o ônibus, que iria em direção ao terminal DIA; enquanto isso, iniciou-se uma roda de Freestyle, onde alguns MCs começaram a batalhar, o que continuou a acontecer já dentro do ônibus. Em certo momento a batalha ocorreu entre Dani MC (Bruxas do Cangaço) e Carlos Alberto (vulgo Insano MC). Devido à presença de passageiros e trabalhadores no local, alguns reforçaram a importância da batalha do conhecimento, ao invés da batalha de sangue que estava acontecendo, com ataques de ambos os lados. Então convocaram alguém que fortalecesse no beatbox. Logo, Lucas (vulgo L*D MC) chegou para fazê-lo. Insano, desconsiderando a iniciativa, insistiu pra que “alguém que soubesse realmente fazer”, aparecesse. Assim, L*D respondeu rimando que Insano “não sabia fazer beatbox e muito menos rimar”. Nesse momento, Insano lhe deu um soco.
Parece besteira e chega a ser ridículo ter que contar tudo em detalhes, porém isso é importante para que seja explicitado que A CONFUSÃO NÃO TEVE INÍCIO APÓS AS MUITAS RIMAS OFENSIVAS E MACHISTAS QUE O MC DIRIGIU A DANI, o que vem sendo afirmado. Após a primeira ação, pessoas interviram e a confusão foi generalizada. Ao ser segurado por alguns de seus parceiros, Insano descontrolou-se e saiu desferindo socos por todos os lados, acertando quem estivesse na frente. Mulheres foram agredidas; a exemplo de uma companheira que saiu com a mão ferida e o nariz sangrando, e outra, que estava apenas tentando impedir que mais pessoas adentrassem na confusão, e recebeu do MC três socos no rosto; além das crianças e outros presentes no local, que ficaram completamente assustados.
É importante salientar que além dos inaceitáveis episódios de violência física que se sucederam para com os e as companheiras que estavam no ônibus, foram relatados, pelas mesmas mulheres agredidas diversos assédios de cunho machista e misóginos, por parte do mesmo Mc e dos que o acompanhavam, enquanto as companheiras ainda estavam no sarau. Como exemplo disso; a persistência de cantadas desnecessárias e a insistência por parte deles em pedir o telefone das meninas foi recorrente, embora elas já tivessem negado diversas investidas.
Ao chegar no terminal, a GM aguardava o ônibus, e, como esperado, durante a abordagem quem ficou mais tempo com os guardas não foi Insano, branco de olhos verdes, e sim um companheiro negro que a todo momento tentava acabar com a confusão, mostrando mais uma vez uma expressão de como o racismo institucional é o fio condutor das ações da polícia.
Não bastasse todo o acontecido, durante a madrugada, Insano ameaçou Dani e seu companheiro, L*D, através de mensagens via Whatsapp, na tentativa de intimidar o casal. Esperávamos que no mínimo o MC tivesse a postura de reconhecer o seu erro e não reforçá-lo, já que, durante a confusão iniciada por ele, todos os passageiros ficaram em choque, a exemplo disso uma criança que chorava sem parar pedindo para descer do ônibus e uma mulher que entrou em uma crise de ansiedade, além das pessoas que não pudemos ter contato. Enfim, uma total falta de respeito com todos, desde o Santa Maria até o terminal DIA. É necessário que o MC reflita que sua iniciativa atingiu não só os próximos, mas também diversos presentes que estavam apenas voltando para casa, e reconheça a dimensão e gravidade que seus atos podem desencadear, como traumas e danos psicológicos.
Não vamos passar pano para esse tipo de postura, tampouco, vamos aceitar que isso seja taxado como apenas uma polêmica para “chamar atenção”, pois esse depoimento não é de uma ou duas pessoas, mas sim de dez cabeças que estavam e presenciaram tudo que aconteceu. Essa conduta não nos representa, não representa o hip-hop nacional e não representa o hip-hop Sergipano, por isso exigimos respeito. Rap não é playground, é compromisso e coerência entre o que diz e o que faz. MC covarde não passará!
Aracaju, 25 de julho de 2017.