22/05/2026
Em 14 de abril de 2016, um grupo de cientistas decidiu investigar um dos maiores mistérios da música de uma maneira impressionante: filmando a garganta de Freddie Mercury a 4.132 quadros por segundo. A ideia era entender, em detalhes, o que fazia a voz do cantor soar tão diferente e marcante.
O estudo, realizado na Universidade de Viena, mostrou que o que Freddie possuía ia muito além de talento. Os pesquisadores descobriram características vocais extremamente raras, consideradas quase uma anomalia física dentro dos padrões do rock e da música ocidental.
Uma das revelações mais surpreendentes foi que Freddie não utilizava apenas as cordas vocais tradicionais. Ele também ativava estruturas chamadas falsas cordas vocais, conhecidas cientificamente como pregas ventriculares. Normalmente, essas estruturas são usadas apenas em ações como tossir ou engolir, mas Mercury conseguia fazê-las vibrar junto das cordas principais, criando um som mais poderoso, encorpado e cheio de textura.
Os cientistas compararam essa técnica a certos tipos de canto gutural praticados em regiões da Sibéria. A diferença é que Freddie aplicava isso dentro do rock, mantendo um controle extremamente preciso da própria voz mesmo em performances intensas e cheias de energia.
Outro detalhe que impressionou os pesquisadores foi o vibrato característico do cantor. Enquanto vocalistas clássicos costumam buscar um vibrato mais suave e regular, o de Freddie era rápido, intenso e imprevisível. Sua voz vibrava em torno de 7,0 Hz, uma velocidade considerada muito alta, dando a sensação de que cada nota sustentada carregava uma energia viva e explosiva.
O estudo também ajudou a derrubar um mito muito popular. Apesar de muitos acreditarem que Freddie Mercury fosse tenor, sua voz natural ao falar era a de um barítono. Isso significa que ele frequentemente cantava fora da região mais confortável da própria voz para alcançar notas extremamente altas.
Talvez o mais incrível seja que Freddie provavelmente nunca pensou em conceitos científicos como “sub-harmônicos” ou frequências medidas em Hertz. Ele apenas cantava guiado pelo instinto, pela emoção e pela musicalidade. A ciência conseguiu explicar parte do fenômeno com números e análises, mas o que existia por trás daquela voz continuava sendo algo profundamente artístico.
Mais do que um cantor lendário, Freddie Mercury acabou sendo reconhecido como um verdadeiro fenômeno vocal, alguém que redefiniu os limites do que parecia possível dentro da música popular.